Governo reduz de 4,7% para 4,5% projeção de queda do PIB em 2020

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pib em queda 19_11_20O Ministério da Economia reduziu de 4,7% para 4,5% a sua estimativa oficial para o tombo da economia brasileira em 2020.

 

Para a inflação neste ano, a projeção do Ministério da Economia passou de 1,83%, divulgada em setembro, para 3,13% agora.

 

A previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) foi divulgada nesta terça-feira (17) por meio Boletim Macrofiscal do orçamento de 2020, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. No mês passado, o ministro Paulo Guedes estimou que o PIB brasileiro teria queda menor, de 4%, em 2020.

 

A queda neste ano é reflexo de medidas restritivas e de distanciamento social tomadas para frear a pandemia do novo coronavírus.

 

As ações levaram, por exemplo, ao fechamento de boa parte do comércio e de fábricas ligadas a áreas consideradas não essenciais. Esses serviços, porém, estão sendo gradativamente reabertos em todo país.

 

Com a reabertura gradual da economia nos últimos meses, indicadores mais recentes, porém, indicam uma retomada mais forte do nível de atividade. Na semana passada, por exemplo, o Banco Central divulgou estimativa de crescimento de 9,47% para o PIB no terceiro trimestre de 2020.

 

Recuperação

Segundo o Ministério da Economia, após a “forte retração da atividade econômica” no primeiro semestre deste ano, a economia global tem se recuperado ao longo da segunda metade de 2020.

 

“Padrão semelhante pode ser observado para os países emergentes, inclusive para o Brasil (…)”, informou o Ministério da Economia, acrescentando que indicadores apontam retomada do crescimento em “V” – ou seja, forte queda seguida de recuperação também pronunciada.

 

Para 2021, o Ministério da Economia manteve em 3,2% a previsão de crescimento do PIB.

 

Desafios

De acordo com a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, os grandes desafios para a manutenção do crescimento sustentável nos próximos anos “passam pela recuperação do mercado de trabalho e a manutenção da agenda de elevação da produtividade e consolidação fiscal [melhora das contas públicas]”.

 

O governo avaliou que a deterioração do mercado de trabalho se concentrou nos empregos informais, e acrescentou que a retomada deste setor “poderá gerar mais vagas com a continuidade da queda dos novos casos de Covid em curso e a futura imunização da população, através de uma vacina”.

 

No campo do emprego, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse que a situação vai melhorar com a redução do distanciamento social nos próximos meses, junto com a manutenção do auxílio emergencial e a liberação extraordinária do FGTS.

 

Ele disse ainda que a agenda de “consolidação fiscal”, por meio do controle de gastos, está no “melhor interesse da população”, pois ela manterá os juros e a inflação baixos, atraindo investimentos e gerando empregos.

 

Sachsida também defendeu a continuidade das reformas enviadas ao Congresso Nacional, e citou os projetos pacto federativo, da emergência fiscal e dos fundos, além das privatizações e de reformas para melhorar a produtividade. Ele negou que o governo esteja trabalhando em um grande plano econômico.

 

“O recado para aqueles que esperam anúncio de grandes planos econômicos: isso já deu errado no passado e não faremos isso. A consolidação fiscal é o combustível para o crescimento e o aumento da produtividade é o motor para esse crescimento”, declarou.

 

Para estimular o crédito, ele citou propostas para melhorar o sistema de garantias.

 

“Em uma crise severa, a empresa já queimou as garantias, e isso atrasa retomada econômica. Temos de melhorar a eficiência no uso das garantias, aí consegue naturalmente aumentar o crédito e vai para o setor onde é mais eficiente”, declarou.

 

Inflação

A projeção do Ministério da Economia é que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 3,13% neste ano.

 

Com isso, houve aumento em relação à estimativa anterior, divulgada em setembro, de que a inflação somaria 1,83% neste ano.

 

No decorrer do ano, com a pandemia do novo coronavírus e a recessão na economia brasileira, o mercado baixou a estimativa de inflação. Nos últimos meses, porém, com a alta do dólar e com a retomada da economia, os preços voltaram a subir.

 

Em setembro, a inflação oficial do país avançou 0,64%, a maior alta para o mês desde 2003. Em outubro, subiu para 0,86%, a maior desde 2002.

 

Apesar da alta, a expectativa de inflação do governo para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

 

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

 

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

 

Para o próximo ano, a expectativa é que a inflação medida pelo IPCA seja de 3,23%, também acima da previsão divulgada em setembro deste ano (+2,94%).

 

No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

 

g1.com

 

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