O Copom (Comitê de Política Monetária) inicia sua segunda reunião do ano nesta terça-feira (17) em meio a dúvidas crescentes sobre qual será a taxa básica de juros da economia. A guerra no Irã embaralhou as apostas e já há quem preveja que a Selic vai ficar onde está desde junho do ano passado, em 15% ao ano.
Sem sinais de se aproximar do fim da guerra, o temor de uma nova escalada da inflação global, diante da disparada dos preços do petróleo, tem levado bancos e casas de investimento a reverem suas projeções para o esperado — até então — corte da Taxa Selic após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que ocorre hoje e amanhã. Houve até quem passasse a esperar a manutenção da taxa em 15% ao ano, patamar considerado restritivo e em vigor desde junho de 2025.
Na última reunião, em 27 e 28 de janeiro, o próprio Copom indicou que daria início ao ciclo de redução da Selic em março, caso se confirmasse o cenário de desaceleração da economia. Ao mesmo tempo, o BC ressaltou que manteria uma “restrição adequada” para garantir a convergência da inflação à meta de 3%.
O tom mais brando fez com que a maior parte das instituições financeiras começasse a projetar um corte de até 0,50 ponto percentual, para 14,5%. No entanto, um mês depois, em 28 de fevereiro, o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã provocou forte escalada nos preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, chegou a superar os US$ 100.
Embora tenha recuado ontem com a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, o barril ainda encerrou o dia em patamar elevado, a US$ 100,21.
Diante do risco de novas pressões inflacionárias, as instituições recalcularam suas estimativas. Bancos como Itaú, Goldman Sachs, Citi, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG Pactual passaram a prever agora um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual, na Selic.
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira também mostrou deterioração nas expectativas do mercado: a projeção de inflação para o fim deste ano subiu de 3,91% para 4,10%, enquanto a estimativa para a Selic avançou de 12,13% para 12,25%.



