Seis em cada 10 brasileiros já emprestaram o nome para conhecidos, diz Serasa

Pelo menos seis em cada 10 brasileiros já emprestaram o nome para terceiros e, entre os que emprestaram, 34% acabaram endividados após o não pagamento das obrigações assumidas, de acordo com um levantamento do Serasa em parceria com o Opinion Box. Entre os que cederam aos pedidos, 29% se arrependeu da decisão e jamais fariam novamente.

 

A prática acontece principalmente com pessoas consideradas de confiança: em 60% dos casos, o empréstimo foi feito para familiares; 31% para amigos; 14% para colegas de trabalho; 11% para parceiros; e 3% para outras pessoas.

 

Segundo Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, na prática, emprestar o nome significa viabilizar o acesso ao crédito — seja por meio de cartões, empréstimos, financiamentos ou parcelamentos.

 

Porém, é preciso se atentar que mesmo sem utilizar diretamente o recurso, a responsabilidade legal pela dívida é integralmente de quem cede o CPF, o que pode comprometer o orçamento, afetar o histórico de crédito e, em casos mais críticos, levar à inadimplência, com impactos que vão além do aspecto financeiro.

 

“Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, o empréstimo do nome pode ampliar a exposição ao risco em um cenário já pressionado pela inadimplência. Mesmo quando há confiança, imprevistos financeiros são comuns e podem transferir integralmente o impacto para quem assumiu formalmente a dívida”, pondera a especialista.

 

Como ajudar sem comprometer o próprio bolso

Para evitar prejuízos financeiros e preservar as relações pessoais, a Serasa orienta, sobretudo, avaliar a situação com racionalidade. Aqui vale analisar o motivo do pedido e se há um plano real de pagamento. Além disso, se o crédito foi negado para a outra pessoa, é importante compreender os motivos, que podem indicar um risco maior de não pagamento.

 

Além disso, é preciso ter clareza sobre a dívida: informar-se sobre valores, prazos, juros e possíveis encargos. “Ao formalizar o crédito em seu nome, toda a responsabilidade passa a ser sua, em caso de inadimplência”, diz o Serasa.

 

Justamente sobre isso, é preciso analisar os impactos no seu futuro financeiro: dívidas ativas podem limitar o acesso a crédito e comprometer planos pessoais, como financiamentos ou novos empréstimos.

 

Também vale aprender a dizer “não”. “Existem maneiras de apoiar alguém sem comprometer o próprio orçamento. Proteger a própria saúde financeira também é uma forma de cuidar das relações, evitando que um gesto de ajuda se transforme em um problema duradouro”, conclui a especialista. Aqui, é possível oferecer ajuda com orientação ou apoio na negociação de dívidas.

 

O levantamento feito pelo Instituto Opinion Box ouviu mais de mil pessoas entre 08 e 16 de outubro de 2025.