O Banco Central deve manter a cautela na terceira reunião do ano do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), do Banco Central, que começa nesta terça-feira e termina na quarta-feira, em meio ao cenário incerto e tenso com perspectivas de continuidade da guerra no Oriente Médio e o preço do barril do petróleo sendo negociado em torno de US$ 100.
Apesar de a maioria das apostas ser de que haverá um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica da economia (Selic), atualmente de 14,75% ao ano, para 14,50% anuais, a manutenção dos juros no atual patamar também não está totalmente descartada, mesmo com o dólar fraco por aqui ter contribuído para que a inflação oficial não ter disparado como em outros países.
Assim, o aguardado processo de corte de juros em pleno ano eleitoral pode não acontecer como o governo ou a população endividada pelos juros elevados esperava.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,88% em relação à alta de 0,70% de fevereiro, acumulando 4,14% em 12 meses. Amanhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o resultado da prévia do IPCA de abril, o IPCA-15, confirmando a continuidade da aceleração do custo de vida, colocando um freio a mais no processo de afrouxamento da política monetária.
Analistas reconhecem que as dúvidas aumentaram no mesmo ritmo da indefinição do conflito no Oriente Médio, pois ao mesmo tempo em que é sinalizada uma trégua, ocorre um novo embate entre Irã e Estados Unidos ou Israel. Para eles, os diretores do BC devem manter o discurso de que seguirão com o “processo de calibração” da política monetária, mas isso estará relacionado com o comportamento da inflação, que tende a ser mais elevada em ano eleitoral, porque há o inevitável aumento de gastos dos governos que buscam se reeleger.



