A taxa de desocupação (6,1%) no trimestre encerrado em março de 2026 cresceu um ponto percentual (p.p.) frente ao trimestre encerrado em dezembro de 2025, mas ficou 0,9 p.p. abaixo da taxa do trimestre encerrado em março de 2025. Essa foi a menor taxa para um trimestre encerrado em março na série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012.
A população desocupada chegou a 6,6 milhões, com alta de 19,6% no trimestre, ou mais 1,1 milhão de pessoas em busca de uma ocupação. Na comparação anual, entretanto, o contingente de pessoas procurando trabalho recuou 13,0% (menos 987 mil pessoas).
O total de trabalhadores do país fiou em 102,0 milhões, recuando 1,0% (ou 1,0 milhão de trabalhadores a menos) no trimestre, mas permanecendo 1,5% (mais 1,5 milhão de pessoas ocupadas) acima do contingente registrado no mesmo trimestre móvel de 2025.
A parcela da população em idade de trabalhar que está ocupada ficou em 58,2%. Esse indicador caiu 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior, mas subiu 0,4 ponto na comparação com o mesmo período do ano passado.
Veja os destaques da pesquisa
- Taxa de desocupação: 6,1%
- População desocupada: 6,5 milhões de pessoas
- População ocupada: 102 milhões
- População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
- População desalentada: 2,7 milhões
- Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
- Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
- Trabalhadores informais: 38,1 milhões
- Taxa de informalidade: 37,3%
Como o IBGE calcula o desemprego
O IBGE classifica o desemprego com base em critérios rigorosos definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O IBGE realiza a pesquisa semanalmente por todo o território nacional, considerando uma amostra de mais de 200 mil domicílios. O termo técnico utilizado é população desocupada.
Para ser considerada desocupada (e, portanto, entrar na conta da taxa de desemprego), a pessoa precisa atender, simultaneamente, a três critérios principais:
- Ter 14 anos ou mais de idade (população em idade de trabalhar).
- Não estava trabalhando em nenhuma ocupação na semana de referência da pesquisa.
- Procurou trabalho efetivamente nas quatro semanas anteriores à entrevista e estava disponível para assumir uma vaga, caso encontrasse.
Por esse método, toda a pessoa sem trabalho, e que não procura emprego, não seria desempregada. Para ser considerado desocupado, dois fatores devem ser atendidos simultaneamente: não trabalhar e procurar emprego.
Por exemplo, um estudante que optou por não trabalhar não é reconhecido como desempregado. Uma pessoa que vive de bolsa família, e não quer trabalhar, também não é considerada desempregada. Em resumo, se o indivíduo optou por não trabalhar, qualquer que seja o motivo, não é classificado como desempregado.
Beneficiários de programas sociais
É importante ressaltar que o recebimento de algum benefício de programas sociais, como por exemplo: bolsa família, benefício de prestação continuada (BPC), seguro desemprego etc, não tem correlação direta com a ocupação ou desocupação. Esses beneficiários, por exemplo, podem ser classificados como parte da força de trabalho (como ocupados ou desocupados) ou estarem fora da força de trabalho.
Pode ocorrer de beneficiários do programa seguro desemprego estarem trabalhando na informalidade (por exemplo, trabalhando como motorista de aplicativo ou no comércio ambulante), e dessa forma serão classificados como “ocupados”.
Pode ocorrer ainda de beneficiários do programa seguro desemprego não estarem ocupados e não terem tomado providência efetiva para conseguir trabalho, e portanto, serão classificados como “fora da força de trabalho”.
Pode ocorrer também de beneficiários do programa bolsa família ou do BPC não estarem trabalhando e nem terem tomado providências para conseguir trabalho, dessa forma, serão classificados também como “fora da força de trabalho”.
O que é a Pnad Contínua
Divulgado desde 2012, o estudo do IBGE abrange todo o território nacional. Em suas coletas, a pesquisa avalia indicadores relacionados à força de trabalho entre a população com 14 anos ou mais. O grupo é aquele que integra a população economicamente ativa do Brasil.
Indicadores utilizam as informações dos últimos três meses para a pesquisa. Assim, os dados produzidos mensalmente pela Pnad não refletem a situação de cada mês, mas o desempenho de cada trimestre móvel do ano. Os números atuais mostram como foi o mercado de trabalho nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025.
Taxa de desemprego é formada por quem está procurando por uma colocação. O grupo é caracterizado por pessoas de dentro da força de trabalho que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar ocupação. O método utilizado pelo IBGE exclui do cálculo todos que estão fora da força de trabalho, como um estudante universitário que dedica seu tempo somente aos estudos ou uma dona de casa que não trabalha fora.



