O BC (Banco Central) divulgou a ata com as motivações que resultaram na redução da taxa básica de juros da economia brasileira para 14,5% ao ano. No documento, o Copom (Comitê de Política Monetária) classifica a decisão como adequada para direcionar a inflação para o centro da meta, mas não confirma a manutenção do ciclo de cortes diante das recentes incertezas geopolíticas.
Na ata o BC não deu sinais de que vai manter o ciclo de queda da taxa Selic. Os diretores do Copom ressaltam que o ambiente econômico ainda atravessa um “forte aumento da incerteza” devido à guerra no Irã. Diante do cenário, o rumo da política monetária é visto como imprevisível. “O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, diz o documento.
O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Guerra no Oriente Médio motiva preocupação da autoridade monetária. A ata ressalta que os conflitos trazem efeitos do fechamento do Estreito de Hormuz, rota responsável pelo deslocamento de fertilizantes e de 20% do petróleo mundial, refletem sobre a cadeia de suprimentos global e os preços das matérias-primas. Tais fatores afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.
Mercado avalia que a trajetória de cortes persistirá até o fim deste ano. A estimativa dos analistas apresentada no último Relatório Focus do BC aponta para mais cinco cortes da taxa Selic até o final deste ano. As reduções são previstas em 0,25 ponto percentual nos meses de junho, agosto, novembro e dezembro e de 0,5 ponto percentual no encontro de setembro. Simultaneamente, as projeções de inflação para este ano subiram nas últimas oito semanas e aparecem acima do teto da meta.
Selic é a principal ferramenta de política monetária para controlar a inflação. A elevação dos juros é utilizada como alternativa para encarecer o crédito. Com o dinheiro mais caro, a demanda por bens e serviços tende a diminuir e, consequentemente, segurar o avanço do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal índice inflacionário do Brasil.



