A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo investigadores ouvidos pelo blog da Andréia Sadi, uma das linhas de apuração busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção de um filme — como argumentado por aliados envolvidos nas tratativas — ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores.
Os investigadores tentam entender três pontos centrais: se o recurso realmente foi aplicado no projeto audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte do dinheiro acabou sendo usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Nos bastidores da investigação, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos. Ele é pré-candidato à Presidência da República.
A avaliação de investigadores é que esclarecer o fluxo do dinheiro virou peça-chave para entender o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro, dono do Banco Master.
Nessa quarta-feira (13), o site “Intercept Brasil” publicou reportagem que mostra troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, Flávio cobra de Vorcaro verbas prometidas para financiar o filme “Dark Horse”, uma produção internacional que conta a história de Jair Bolsonaro. O filme tem previsão de estreia no Brasil em setembro.
Mário Frias contradiz Flávio Bolsonaro e afirma não haver um ‘único centavo’ de Vorcaro no filme sobre o ex-presidente
O deputado federal Mário Frias, produtor executivo do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas na quarta-feira (13) em que disseram que a cinebiografia não recebeu um “único centavo” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Em áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra Vorcaro por pagamentos atrasados para a produção do filme “Dark Horse” (termo em inglês para azarão). A TV Globo confirmou o conteúdo da reportagem e a existência do áudio com investigadores e pessoas com acesso às informações.
Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme.
Após a divulgação do áudio, Flávio divulgou um vídeo em que confirmou ter pedido dinheiro ao banqueiro para o filme, mas negou irregularidades. Ele disse que Vorcaro “simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato”. “Sim, tinha um contrato que, ao não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído”, afirmou.
No comunicado divulgado nas redes sociais, a GOUP afirmou “categoricamente” que não há “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário” entre os investidores do longa-metragem.
Parte do dinheiro, no entanto, circulou por meio da Entre Investimentos, empresa que teria intermediado repasses entre Vorcaro e a produção do filme.
Frias reiterou a informação e afirmou que, assim “como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”.
Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de fundo ligado a Vorcaro e diz que status migratório nos EUA ‘não permitiria’
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta quinta-feira (14) que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
“A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria”, disse Eduardo nas redes sociais.



