Banco Central reduz taxa básica de juros a 14,25% ao ano sem sinalizar novos cortes

O Banco Central reduziu a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira,  de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano, após reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) encerrada hoje. No comunicado, a diretoria do órgão afirmou que os próximos passos da atuação dependerão dos indicadores econômicos até a reunião seguinte, em 4 e 5 de agosto.

 

O que aconteceu

A taxa básica de juros da economia brasileira cai de 14,50% para 14,25%. Foi a terceira redução seguida de 0,25 ponto percentual decidida pelo Copom (Comitê de Política Monetária), órgão formado pelos diretores do Banco Central. A decisão repete os movimentos realizados nas reuniões do órgão em março e em abril.

 

O Banco Central apontou que a manutenção dos juros elevados nos últimos trimestres permitiu promover esse corte de juros neste momento. Segundo o órgão, o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.

 

Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

 

Comunicado do Copom

O Banco Central não sinalizou novos cortes. No mesmo comunicado, o Copom afirma que vai seguir monitorando o comportamento dos principais indicadores de preços e de atividade econômica.

 

Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

Copom

 

Banco Central destacou maior preocupação com a inflação. No comunicado, o Copom destaca que “as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”. Também com relação às estimativas de mercado, o cenário ficou mais incerto.

 

Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.

Copom

 

Copom revisa para cima projeções de inflação. No novo cenário, o Banco Central projeta uma inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), de 5,2%, ante 4,6% na reunião de abril. O novo patamar se distancia ainda mais da taxa de 4,5%, que é o limite de tolerância da meta perseguida pelo órgão. O centro da meta de inflação é de 3%, com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima ou para baixo. Para o quarto trimestre de 2027, o Copom também elevou a estimativa para o IPCA, de 3,5% para 3,7%.

 

Essa é a terceira redução da taxa básica de juros após quase dois anos. Na reunião anterior do Copom, o Banco Central fez o segundo corte no atual ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. Antes dessas reduções, o ciclo anterior de afrouxamento monetário tinha sido encerrado em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5%.

 

Movimento atual está tirando a taxa básica de juros do maior patamar em quase 20 anos. O Banco Central vinha elevando a Selic desde setembro de 2024, partindo de 10,5% ao ano, como medida para derrubar a inflação, que estava acima do teto da meta perseguida pelo órgão.

 

Inflação oficial voltou a subir após acomodação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 12 meses voltou a superar o teto da meta perseguida pelo Banco Central, após sete meses abaixo desse patamar. A aceleração dos preços ocorre de forma simultânea à piora das projeções de inflação para os próximos trimestres, incluindo 2027 e 2028.

 

Incertezas sobre a acomodação dos preços do petróleo ainda prevalecem. Os preços internacionais do barril recuaram para os menores valores desde o começo de março após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Hormuz, por onde passavam 20% do fornecimento diário mundial da commodity. Entretanto, como parte dessa valorização já chegou aos combustíveis, o Banco Central aponta necessidade de seguir monitorando os chamados “efeitos secundários” desse choque.

 

Nesta ‘super quarta-feira’, também houve decisão sobre juros nos Estados Unidos. O Fed (Federal Reserve) manteve a taxa de referência na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Projeções da diretoria do órgão apontam maior risco de elevação da taxa ainda neste ano por causa da inflação acima da meta em meio ao choque de preços de energia provocado pelo petróleo mais caro após a guerra no Oriente Médio.

 

Copom, Selic e economia

O Banco Central reúne o Copom (Comitê de Política Monetária) a cada 45 dias. Nesses encontros, realizados em uma terça e em uma quarta-feira a cada 45 dias, a diretoria do Banco Central define a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passa a ser válida até o encontro seguinte. O resultado da reunião é sempre divulgado após as 18h30, por meio de comunicado, que apresenta as razões da decisão.

 

Na terça-feira seguinte, o Banco Central apresenta a ata do Copom. Nesse documento, a diretoria do órgão detalha as análises, teses e projeções econômicas que suportaram a decisão sobre a taxa básica Selic.

 

A Selic é a principal forma de conter a inflação. A elevação dos juros torna mais cara a tomada de empréstimo, inibindo o consumo e, consequentemente, a inflação. Por outro lado, seguidas altas podem enfraquecer o ritmo da economia, diminuindo a produção industrial e aumentando o desemprego.

 

Taxa básica de juros elevada encarece principalmente a concessão de crédito e serviços financeiros. As taxas cobradas em empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e de veículos, além de linhas de crédito para empresas, ficam caras.

 

Já investir em renda fixa é bom negócio com a Selic alta. Investimentos remunerados pela taxa básica, como o Tesouro Selic, oferecem retorno maior, enquanto a poupança perde ainda mais competitividade.