Inflação surpreende e fica abaixo das projeções com queda de alimentos em junho

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, apontou nesta sexta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

O resultado surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,31% para o sexto mês do ano, conforme a agência Bloomberg.

 

Um dos motivos para o alívio, segundo o IBGE, foi o comportamento do grupo alimentação e bebidas, que teve queda de preços em junho (0,24%) após alta superior a 1% em maio (1,33%).

 

Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,64% até junho, depois de marcar 4,72% até maio.

 

Com o novo resultado, o índice ficou pelo segundo mês consecutivo acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

 

A meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%.

 

Quadro resumo do IPCA

Período Taxa
Junho de 2026 0,16%
Maio de 2026 0,58%
Acumulado no ano 3,36%
Acumulado nos últimos 12 meses 4,64%
Junho de 2025 0,24%

 

 

 

IPCA – Variação e Impacto por grupos – mensal

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Maio Junho Maio Junho
Índice Geral 0,58 0,16 0,58 0,16
Alimentação e bebidas 1,33 -0,24 0,29 -0,05
Habitação 1,22 0,63 0,18 0,10
Artigos de residência 0,08 0,23 0,00 0,01
Vestuário 0,62 0,17 0,03 0,01
Transportes -0,46 0,17 -0,09 0,03
Saúde e cuidados pessoais 0,90 0,23 0,12 0,03
Despesas pessoais 0,41 0,25 0,04 0,02
Educação 0,00 -0,02 0,00 0,00
Comunicação 0,23 0,19 0,01 0,01
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

 

Em junho, o grupo Alimentação e bebidas apresentou variação de -0,24%, após a alta de 1,33% em maio. A alimentação no domicílio variou -0,39%, ante a alta de 1,65% de maio, com influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).

 

A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,49% em maio para 0,15% em junho com o lanche saindo de 0,49% para 0,13% e a refeição de 0,51% para 0,15% no mesmo período.