Com inflação mais baixa, mercado aposta em novo corte da Selic na quarta

Com a desaceleração recente da inflação, a maioria no mercado financeiro aposta em um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a próxima quarta-feira, (5), com o anúncio da decisão ocorrendo no início da noite, tradicionalmente após as 18h30. Com a redução, a taxa cairia de 14,25% para 14% ao ano.

 

A prévia da inflação de julho ficou abaixo do esperado, o que mudou as projeções. A variação de 0,06% do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou abaixo tanto da taxa de 0,44% registrada em junho quanto das expectativas para julho, que apontavam alta de 0,19%. Em julho do ano passado, o IPCA-15 foi de 0,33%. O resultado é apontado por bancos e corretoras como principal justificativa para o corte da Selic na próxima reunião.

 

Caso se confirme, o que muda  para o investidor?

Se o novo corte da Selic se confirmar, a renda fixa perderá retorno, mas continuará entregando ganhos de dois dígitos em 12 meses. Os investimentos atrelados ao CDI e à Selic renderão um pouco menos caso a redução se concretize, enquanto as alternativas continuarão sendo as aplicações isentas de Imposto de Renda.

 

  1. Poupança: Ela perde para investimentos de risco semelhante, como o Tesouro Selic. Enquanto seu rendimento é travado pela regra de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR), as aplicações atreladas à taxa Selic continuam entregando retornos nominais superiores.

 

  1. CDBs e Tesouro Selic: CDBs que pagam 100% do CDI e o próprio título Tesouro Selic passam a render cerca de 13,9% brutos ao ano. Descontado o Imposto de Renda (que varia de 22,5% a 15% dependendo do tempo de aplicação), o rendimento líquido real ainda se mantém acima da inflação estimada para 2026.

 

  1. LCI, LCA e Debêntures: Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito Agrícola (LCA) e debêntures incentivadas são vantajosas por serem isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Elas continuarão com retornos líquidos reais próximos a 7% ao ano acima da inflação, consolidando essas opções como destino para investidores conservadores. “Uma LCI ou uma LCA que pague entre 85% e 90% do CDI pode superar depois dos impostos um CDB que remunere 100% do CDI, dependendo do prazo e da alíquota aplicável”, estima Natalie Verndl, economista e delegada do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo).

 

Para os endividados, a redução na taxa não deve baratear o custo das dívidas. Os juros de curto prazo cobrados em empréstimos pessoais, cheque especial e cartões de crédito dependem de outros fatores além da Selic, como a inadimplência média do país e o risco de crédito, que é avaliado na hora por cada instituição financeira. Isso significa que a diferença nas prestações mensais de novos financiamentos de carros ou imóveis continuará imperceptível.