O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, cortando os juros básicos de 14% para 13,75% ao ano. Se confirmada, será o quinto recuo da Selic desde março, quando foi iniciado o ciclo de corte de juros.
Desde então, o BC tem optado pelo mesmo ritmo de cortes, em um processo bastante gradual, que vem sendo chamado de “calibração”, totalizando até agora 1,0 ponto percentual, de 15% para 14%. Caso a Selic caia para 13,75% nesta quarta, atingirá o menor nível desde março de 2025 (13,25%).
O Copom calibra a Selic para alcançar a meta de inflação, de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. No último encontro, em agosto, o BC projetava que a inflação oficial (IPCA) só iria se aproximar da meta no primeiro trimestre de 2028, quando chegaria a 3,2%. Para o fim deste ano, a expectativa era de 5,1% — acima do teto tolerado —, e para o fim de 2027, de 3,8%.
Em agosto, o BC não deu nenhuma sinalização sobre os seus planos para a reunião desta quarta diante da incerteza elevada no ambiente econômico, como os efeitos inflacionários da guerra no Oriente Médio e do El Niño mais forte no Brasil dois riscos que permanecem até o momento. Mas deixou claro que iria acompanhar a evolução do cenário para “manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Desde lá, os indicadores de atividade econômica, como o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre (0,5%) e outros indicadores setoriais, mostraram continuidade da desaceleração e os dados de mercado de trabalho deram sinais de enfraquecimento na geração de vagas. Da mesma forma, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto (-0,32%) trouxe boas notícias, com o resultado geral abaixo do esperado, mas informações mais qualitativas ainda demandam atenção, como os preços de serviços – que reagem mais à política monetária.
Em relação às expectativas de inflação, um dos fatores monitorados pelo BC para calibrar a Selic, houve mudanças apenas marginais, com as projeções para 2026, 2027 e 2028 ainda bastante superiores à meta de 3%, segundo o Boletim Focus. Atualmente, o Copom mira no primeiro trimestre de 2028 para colocar a inflação na meta.



