Banco Central prevê para março primeiro corte nos juros em quase dois anos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou nesta quarta-feira. 28, que o alívio na taxa básica de juros deve começar em março. Ao informar que decidiu manter a Selic inalterada em 15% ao ano, movimento que já era esperado pelos analistas, o Copom deu um sinal bastante objetivo sobre o início do ciclo de cortes. A principal motivação foi a menor pressão inflacionária.

 

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.

 

A decisão foi unânime. A próxima reunião será nos dias 17 e 18 de março.

 

Se o corte for confirmado, será a primeira redução desde maio de 2024, quando a Selic foi de 10,75% para 10,5%. A partir de setembro daquele ano, com o avanço da inflação, o Copom retomou as elevações. A taxa está em 15% desde 20 de junho de 2025.

Como age o Banco Central?

Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.

 

Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo de 3% será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. No documento, o presidente do órgão, Gabriel Galípolo, culpou a atividade econômica aquecida, o câmbio, o custo da energia elétrica, além de anomalias climáticas.

 

Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.

 

Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.