O TCU (Tribunal de Contas da União) identificou indícios de uso irregular de CPFs de beneficiários do Bolsa Família em apostas online. De acordo com o relatório, baseado em dados do Banco Central, só em janeiro deste ano cerca de R$ 3,7 bilhões das contas de pessoas que recebem o benefício foram transferidos para administradoras de apostas.
Ou seja, até 27% dos recursos transferidos aos beneficiários podem ter sido usados em bets, embora a maior parte não necessariamente venha do próprio Bolsa Família — já que 83% dos titulares têm outras fontes de renda.
O tribunal encaminhou as movimentações suspeitas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Receita Federal e ao Ministério Público Federal para investigação.
A mediana dos valores gastos foi de R$ 100 por pessoa, mas há casos extremos: uma única família chegou a transferir R$ 2,1 milhões em um mês. Em janeiro de 2025, das 20,3 milhões de famílias no programa, 4,4 milhões realizaram transferências para casas de apostas —cerca de 22% do total de beneficiários.
Entre essas famílias, 889 mil foram responsáveis por 78% do dinheiro movimentado, o que representa apenas 4,37% do total de famílias atendidas pelo programa.
Algumas movimentações foram consideradas incompatíveis com a renda declarada. O tribunal identificou casos de transferências de até R$ 2 milhões e 663 famílias que enviaram valores entre R$ 100 mil e R$ 1,4 milhão.



