A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) entregou à Câmara dos Deputados uma carta renunciando ao cargo neste domingo (14). A informação foi divulgada pela assessoria da presidência da Casa.
“A Câmara dos Deputados informa que a Deputada Carla Zambelli (PL/SP) comunicou à Secretaria-Geral da Mesa a sua renúncia ao mandato parlamentar na data de hoje”, afirma o texto.
Com a renúncia de Zambelli ao cargo, quem assume agora será o suplente do Partido Liberal de São Paulo, Adilson Barroso.
Sob pressão após o choque entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Câmara dos Deputados a respeito da cassação de Carla Zambelli (PL-SP), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulou, segundo aliados, uma saída para a parlamentar, que ontem renunciou ao posto. A medida resolve ao menos momentaneamente o atrito com a Corte, que havia reiterado a ordem de perda de mandato, e evita que Motta abra uma nova frente de crise com o bolsonarismo, que exigia o oposto: a prevalência da decisão dos congressistas, rejeitando a cassação.
Em sua carta de renúncia, Zambelli afirmou que ter sido perseguida e que sua “história pública não foi forjada”.
“Afirmo: a verdade foi dita, a história foi escrita e a minha consciência permanece livre”, concluiu a ex-deputada.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que foi uma estratégia conjunta da defesa para evitar a cassação da deputada.
“A renúncia vai dar a ela mais possibilidades de defesa para ser solta e permanecer na Itália”, afirmou Cavalcante à GloboNews.
O pedido de renúncia em nada afeta as condenações das quais Zambelli foi sentenciada. Assim, por mais que a defesa possa ter tentado “proteger” os direitos políticos da deputada para que ela não fique inelegível, as condenações foram concluídas e já preveem o fim da possibilidade dela de se tornar elegível.
Processo de cassação
Na quarta-feira (10), o plenário da Câmara dos Deputados decidiu rejeitar a cassação do mandato parlamentar de Carla Zambelli (PL-SP).
Foram 227 votos a favor, 170 contrários e 10 abstenções – seriam necessários 257 votos para a cassação.
Já na sexta-feira (12), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, confirmar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que decretou a perda automática do mandato da deputada.
O julgamento ocorreu em plenário virtual, onde os ministros registraram os votos no site do STF. Votaram os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.



