Depois de um mês e meio de extensas jornadas de encontros quase diários entre Daniel Vorcaro e seus advogados, ficaram prontos os anexos da delação premiada do ex-banqueiro.
Claro que isso traz preocupações para muitos políticos e autoridades do Brasil. O que será que ele vai delatar? Quem ele implicará?
O que significa que sua defesa começa nos próximos dias — talvez até nesta semana — uma segunda e fundamental fase do processo de colaboração: a negociação do acordo de delação com a PGR e a PF.
Os anexos de uma delação são os documentos onde o colaborador detalha cronologicamente e por escrito cada evento criminoso que pretende denunciar. São como capítulos da jornada de crimes do delator.
Essa nova fase será obrigatoriamente de negociações duras, uma vez que PF já tem um extenso material de provas e indícios oriundos dos celulares tanto de Vorcaro como de outros envolvidos no caso Master. Sua duração? Impossível cravar com certeza, mas deve se estender por no mínimo mais um mês.
Se passar dessa fase, Vorcaro começará uma nova etapa do processo: a de depoimentos.
Diante da apresentação da proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou que a devolução integral do dinheiro desviado por meio de corrupção será condição fundamental para que o acordo de colaboração seja homologado.
A análise dos anexos da proposta de delação será feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF). Caso haja avaliação de que Vorcaro avançou de fato nas investigações, a homologação será analisada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça.
A partir de agora, haverá uma negociação da defesa de Vorcaro com a PGR e a PF. Mas, tudo estará condicionado ao ressarcimento de valores.
A avaliação no Supremo é que devolução terá que ser feita de imediato. Ainda que parte dos recursos já tenha sido gasta pelo banqueiro, a cobrança acontecerá para o ressarcimento monetário do que estiver em poder de Vorcaro. Mesmo valores que estejam no exterior, terão de ser devolvidos.
Também não será aceito o modelo feito na Operação Lava Jato, em que empresas fizeram acordo de devolução de recursos de forma parcelada em vários anos. A percepção no Supremo é que isso não deu certo.
A defesa de Vorcaro vai ter que apontar onde estão os recursos do ex-banqueiro frutos de crime aqui no Brasil e no exterior, inclusive imóveis.



