Os brasileiros ficaram mais endividados na passagem de março para abril, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de famílias com dívidas subiu de 80,4% em março para um novo recorde de 80,9% em abril. Em abril de 2025, esse porcentual era de 77,6%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
“Os resultados recentes indicam relativa acomodação das condições financeiras das famílias. Embora o endividamento mantenha trajetória de avanço, esse movimento não tem sido acompanhado por deterioração expressiva da inadimplência, que segue relativamente estável, assim como a parcela de famílias sem condições de quitar dívidas em atraso. Além disso, a perspectiva de recuo da inadimplência de longo prazo sugere um perfil de endividamento mais administrável no curto prazo”, apontou o relatório da CNC.
A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
O cartão de crédito, com os maiores juros da economia brasileira, segue como a principal modalidade de dívida, exercendo o maior impacto no orçamento, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.
| abr/25 | dez/25 | jan/26 | fev/26 | mar/26 | abr/26 | |
| Familias Endividadas (% do total de famílias) | 77,6% | 78,9% | 79,5% | 80,2% | 80,4% | 80,9% |
| Familias com dívidas em atraso (% do total de famílias) | 29,1% | 29,4% | 29,3% | 29,6% | 29,6% | 29,7% |
| Não terão condição de pagar dívidas em atraso (% do total de famílias) | 12,4% | 12,6% | 12,7% | 12,6% | 12,3% | 12,3% |
| Tipo de dívida (% endividados) | ||||||
| Cartão de crédito | 83,8% | 85,1% | 85,4% | 85,0% | 84,9% | 85,0% |
| Cheque especial | 3,3% | 3,3% | 3,4% | 3,5% | 3,6% | 3,6% |
| Cheque pré-datado | 0,4% | 0,3% | 0,3% | 0,3% | 0,3% | 0,3% |
| Crédito consignado | 4,9% | 5,8% | 6,0% | 6,3% | 6,6% | 6,7% |
| Crédito pessoal | 10,5% | 12,1% | 12,2% | 12,3% | 12,6% | 12,9% |
| Carnês | 17,4% | 16,2% | 15,9% | 16,0% | 16,0% | 16,1% |
| Financiamento de carro | 9,0% | 8,6% | 8,7% | 8,9% | 9,1% | 9,1% |
| Financiamento de casa | 8,8% | 9,6% | 9,6% | 9,8% | 9,7% | 9,7% |
| Outras dívidas | 2,9% | 2,6% | 2,5% | 2,6% | 2,6% | 2,6% |
| Não sabe | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% |
| Não respondeu | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% | 0,0% |
| Tempo médio de pagamento em atraso, entre as famílias com conta/dívidas em atraso (em dias) | 64,6 | 64,3 | 64,8 | 65,1 | 65,1 | 65,1 |
| Tempo médio de comprometimento com dívida (em meses) | 7,3 | 7,1 | 7,2 | 7,2 | 7,2 | 7,2 |
| Parcela média da renda comprometida com dívida (% da renda) | 30,0% | 29,5% | 29,7% | 29,7% | 29,6% | 29,4% |
Inadimplência
A fatia de famílias inadimplentes subiu ligeiramente de 29,6% em março para 29,7% em abril. Essa proporção era de 29,1% em abril de 2025.
Além disso, a fatia de famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes, ficou estável em 12,3% em abril, mesma proporção vista em março. Em abril de 2025, essa proporção era de 12,4%.
Entre os inadimplentes, 49,5% relataram terem débitos vencidos há mais de 90 dias.
“O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira”, apontou a CNC.
Endividamento sobe entre pobres e ricos
O aumento no endividamento em abril foi disseminado entre todas as faixas de renda. No grupo com renda familiar mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados subiu de 82,9% em março para 83,6% em abril.
Na classe média baixa, com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de endividados avançou de 82,6% em março para 82,8% em abril. No grupo de cinco a dez salários mínimos, houve elevação de 79,2% para 80,1%. No grupo com renda acima de 10 salários mínimos mensais, essa fatia subiu de 69,9% para 70,8%.
Detalhamento da inadimplência
Quanto à inadimplência, no grupo com renda familiar mensal de até três salários mínimos, a proporção de famílias com dívidas em atraso permaneceu em 38,2% em abril, mesmo resultado de março.
Na classe média baixa, com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de inadimplentes diminuiu de 28,7% para 28,0%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, houve elevação de 22,1% para 22,7%. No grupo que recebe acima de 10 salários mínimos mensais, a fatia de inadimplentes subiu de 14,7% para 15%.
“O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo”, ponderou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em nota.



