O Brasil chegou a 82,8 milhões de inadimplentes, o equivalente a 50,5% da população adulta do país, segundo estudo da Serasa divulgado hoje.
O números do levantamento indicam um cenário de endividamento em alta, com 50,5% dos adultos em situação de inadimplência. O estudo aponta que o total devido chega a R$ 557 bilhões, distribuído em 338,2 milhões de dívidas.
O valor médio das dívidas dos brasileiros é de R$ 1.647,64. O levantamento também destaca que o setor financeiro concentrava quase metade das dívidas (47%) em março.
A série histórica da Serasa mostra evolução no número de inadimplentes. Os dados indicam que havia 64 milhões de dívidas negativadas em junho de 2020. O total teve uma leve redução no ano seguinte, mas atingiu o patamar mais alto da série em março deste ano, com 82,8 milhões de inadimplentes constatados no mês de março.
Recorte por tipo de dívida mostra o peso do mercado financeiro na inadimplência. A distribuição inclui bancos e cartão de crédito (27,3%), contas básicas como água e luz (21%), instituições financeiras (20,2%), atividades de serviços (11,5%) e telecomunicação (4,56%).
Pesquisa também lista os principais motivos associados ao endividamento. Desemprego ou perda de renda lidera, com 38%, seguido por gastos de emergência (16%), descontrole financeiro (13%), apoio a amigos e familiares (10%) e atraso no pagamento de contas (7%).
Cartão de crédito lidera entre dívidas bancárias
Entre as dívidas com bancos, o cartão de crédito é a modalidade mais comum, citada por 73% dos endividados. O crédito pessoal aparece em seguida (56%) e o cheque especial, com 33%.
Levantamento indica que parte dos consumidores concentra mais de uma pendência no mesmo banco. Ao todo, 49% dos endividados com bancos acumulam múltiplas dívidas na mesma instituição.
Estudo registra tentativas de negociação por parte dos inadimplentes. De acordo com o levantamento, 71% dos endividados com bancos relatam que já tentaram negociar suas dívidas.
Recorte do setor financeiro desde a pandemia aponta aumento da participação dessas dívidas na inadimplência do consumidor. A diretora da Serasa, Aline Maciel, atribui o resultado ao aumento da bancarização das classes D e E.



