Número de mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras chega a 65

O número de mortes suspeitas após o uso de canetas emagrecedoras chegou a 65, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pelo menos é esse número que está sob investigação, segundo declarou a agência nesta quinta-feira (19).

 

Segundo a agência, as mortes ocorreram após o uso de remédios à base de semaglutida (princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, ambos da Novo Nordisk), da liraglutida e da tirzepatida, esta última princípio ativo do Mounjaro.

 

Segundo a Anvisa, as mortes ocorreram entre dezembro de 2018 e o mesmo mês de 2025. Esse número supera um balanço anterior, divulgado pela própria Anvisa. Conforme noticiou a Folha, seis mortes eram investigadas até o começo deste mês, além de 225 eventos adversos, número agora atualizado para 2.436.

 

Os casos também resultam de canetas produzidas por farmácias de manipulação e por laboratórios não autorizados. Há canetas que chegam no Brasil por contrabando de outros países da América do Sul e são comercializadas clandestinamente.

 

As investigações passam por um longo processo clínico e científico, segundo a Anvisa. Isso porque a despeito do uso desses remédios pelos usuários que morreram, não é possível dizer se eles são a causa direta dos óbitos, que podem também estar relacionados à combinação com outros medicamentos e comorbidades.

 

Alerta

No dia 9 de fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta para os riscos de pancreatite decorrentes do uso de canetas emagrecedoras.

 

A Eli Lilly disse, na ocasião, que a bula do Mounjaro (tirzepatida) aponta a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) como uma reação adversa incomum. A empresa orienta que os pacientes conversem com um médico para saber mais sobre os sintomas e, em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento, informem o profissional de saúde e interrompam o uso do medicamento.

 

A Novo Nordisk, que comercializa os medicamentos Ozempic, Wegovy e Saxenda, afirmou em comunicado que “embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança”.