O custo de vender uma empresa pública: agro no Paraná diz que serviço da Copel está péssimo, aponta prejuízo financeiro e critica reajuste de 19%

Representantes do setor agrícola e industrial do Paraná subiram o tom contra a Copel (Companhia Paranaense de Energia) e cobraram soluções para problemas como quedas no fornecimento, oscilações de tensão, demora no religamento e queimas de equipamentos.

 

As reclamações foram feitas em uma audiência pública da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (5), com participação da empresa e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

 

Quarta maior distribuidora de energia do país, a Copel tem mais de 5 milhões de consumidores em 395 dos 399 municípios do Paraná e desde sua privatização, no final de 2023, tem enfrentado reclamações sobre serviços prestados pela empresa, especialmente do setor rural.

 

Lembrando que a Copel (Companhia Paranaense de Energia) foi privatizada em 8 de agosto de 2023. A operação ocorreu na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) através de uma oferta de ações (follow-on), movimentando cerca de R$ 5,2 bilhões e convertendo a empresa em uma “true corporation” (sem controlador definido).

 

O Governo do Paraná arrecadou R$ 3,1 bilhões com a venda de ações da Copel na Bolsa de Valores, em São Paulo.

 

“No Paraná, a energia elétrica passou a ser um fator de risco para a atividade rural constante. São prejuízos financeiros de grande monta e morte de milhares de animais. Isso não é um problema pontual ou restrito a casos isolados”, afirmou o presidente da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, que também está à frente do G7, grupo que reúne as sete principais entidades representativas dos setores produtivos do Paraná.

 

Entre os episódios citados durante a audiência pública estão a queda de energia em um aviário, gerando a morte de 20 mil frangos que não aguentaram o calor do local, e a perda de 900 mil quilos de tilápia em um tanque de água cuja oxigenação ficou comprometida. Os dois casos ocorreram no início deste ano em cidades do oeste do Paraná.

 

Presente na audiência pública, o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antonio Villela de Abreu, citou investimentos recentes, como a renovação de 25% das redes rurais, mas reconheceu desafios e apontou para os eventos climáticos.

 

“A Copel nos apresentou índices indicando um tempo médio de interrupção anual em torno de 7 horas. No entanto, o tempo real percebido pelos consumidores em geral chega a 17,5 horas. Isso ocorre devido a expurgos que retiram mais de 60% do tempo de interrupções do cálculo oficial que a Copel utiliza. No meio rural, a situação é ainda mais grave”, reclamou Meneguette.

 

O presidente da Faep cobra auditoria independente sobre os expurgos aplicados nos indicadores e uma análise sobre os impactos dos investimentos na qualidade do serviço