Os brasileiros têm R$ 10,575 bilhões “esquecidos” em bancos e outras instituições financeiras, mostra a atualização do SVR (Sistema de Valores a Receber), referente ao mês de março, divulgada hoje.
O Governo vai usar ‘dinheiro esquecido’ e não reclamado para bancar parte do Novo Desenrola Brasil. Para reforçar o caixa do FGO (Fundo de Garantia de Operações) que vai ser garantia das dívidas renegociadas no programa, o Fundo poderá receber transferências de valores do SRV (Sistema de Valores a Receber). Na MP (Medida Provisória) da medida, o Ministério da Fazenda informa que interessados poderão reclamar os recursos no período de 30 dias.
Segundo Ministério da Fazenda, 10% do valor transferido permanecerá reservado para cobrir possíveis pedidos de resgate realizados posteriormente pelos correntistas. De acordo com portaria do governo, bancos têm até esta terça-feira para realizar a transferência dos recursos ao fundo público. Clientes das instituições financeiras têm 30 dias corridos para contestar eventuais transferências ao fundo, mediante apresentação da documentação exigida.
As pessoas físicas e jurídicas têm R$ 10,575 bilhões “esquecidos”. O total disponível pode ser resgatado por 45,3 milhões de clientes individuais (R$ 8,137 bilhões) e 5,04 milhões de empresas (R$ 2,437 bilhões). Os valores estão no sistema do BC criado para que pessoas e empresas consultem se há dinheiro esquecido em instituições financeiras.
O montante a ser resgatado aumentou 0,2% no mês de dezembro. A atualização do sistema criado para a consulta dos valores esquecidos vinha caindo após registrar recorde, de R$ 10,68 bilhões, em julho do ano passado.
A maior parte dos valores (R$ 6,258 bilhões) foi esquecida em bancos. Na sequência, aparecem as administradoras de consórcios (R$ 2,602 bilhões), as cooperativas (R$ 975 milhões), as instituições de pagamento (R$ 400 milhões), as financeiras (R$ 224 milhões), as corretoras e distribuidoras (R$ 107 milhões) e outras instituições (R$ 7,3 milhões).
A maioria dos valores (62,9%) não ultrapassa R$ 10. Na sequência, aparecem os montantes entre R$ 10,01 e R$ 100 (24,2%) e de R$ 100,01 a R$ 1.000 (10,9%). Somente 2% daqueles com dinheiro esquecido podem resgatar mais de R$ 1.000.
Brasileiros já resgataram mais de R$ 14,558 bilhões do sistema. O total foi recuperado por 35,6 milhões de pessoas físicas (R$ 10,7 bilhões) e 4,3 milhões de pessoas jurídicas (R$ 3,8 bilhões). Somente em fevereiro, foram devolvidos R$ 408 milhões.
Como sacar?
- A consulta é feita pela internet. Basta acessar o site oficial do sistema, informar seu CPF, data de nascimento e clicar em “consultar”.
- Para pedir o resgate, é preciso entrar no sistema por meio de uma conta gov.br. O resgate é autorizado para aqueles com uma conta de nível prata ou ouro. Se você precisar subir de nível, aumente o nível de segurança no site ou no aplicativo gov.br (veja como fazer). Não deixe para criar a conta ou ajustar o nível no dia de agendar o resgate;
- Leia e aceite o termo de responsabilidade;
- Verifique o valor a receber e a instituição que vai devolver. Dependendo do caso, o sistema poderá fornecer informações adicionais.
- Clique em uma das opções indicadas pelo sistema. Na opção “Solicitar por aqui”, a devolução será via Pix em até 12 dias úteis. Depois de informar os dados pessoais, basta anotar o número de protocolo para entrar em contato com a instituição se necessário.
- Já a opção “Solicitar via instituição” é para quem não tem Pix. Nesse caso, é necessário entrar em contato com a instituição financeira para combinar a forma de saque pelos canais de atendimento que aparecerão no aplicativo.
Dinheiro esquecido é resultado de valores que pertencem ao cliente, mas que por algum motivo acabaram ficando na instituição financeira com a qual ele teve relação.
Veja alguns casos.
- Tarifas que foram cobradas indevidamente;
- Outros recursos que ficaram disponíveis nas instituições para devolução;
- Recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
- Contas correntes ou poupança encerradas com algum saldo disponível;
- Contas de pagamento pré-pagas e pós-pagas encerradas com saldo disponível;
- Parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente;
- Cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários de cooperativas de crédito;
- Contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas com saldo disponível.
Cuidado com golpes
- O único site para consultar é o https://valoresareceber.bcb.gov.br;
- Não clique em links suspeitos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram;
- Somente a instituição que aparece no SVR pode fazer contato com o interessado. Ela nunca pedirá sua senha;
- Todos os serviços são gratuitos. Não faça qualquer tipo de pagamento para ter acesso aos valores;
- O BC não envia links, nem entra em contato para tratar de valores ou confirmar dados pessoais.



