O mês de Fevereiro de 2026 registra um novo recorde de endividamento no Brasil. O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa) continuou crescendo em fevereiro (80,2%), superando, em 3,8 pontos percentuais, o resultado do ano passado.
Este é o maior nível de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010. O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação a janeiro e supera em 3,8 p.p. o resultado de fevereiro de 2025. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (11).

O novo recorde vem acompanhado de uma retomada da inadimplência que interrompeu três meses de queda e subiu para 29,6%. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva.
Um fator preocupante deste ano é que, após três meses de redução, houve aumento em fevereiro do percentual de inadimplência que atingiu 29,6%, a maior taxa desde novembro do ano passado (30,0%). Em relação ao percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso, houve ligeira redução de 0,1 p.p., alcançando 12,6%, acima do nível do resultado de 2025.
Com esse aumento do endividamento e sem condições de amortizar as contas atrasadas, o tempo com as dívidas atrasadas aumentou para 65,1 meses, o maior nível desde dezembro de 2024 (65,2 meses). Isso por conta de o percentual de famílias inadimplentes por mais de 90 dias ter tido aumento, no mês, para 49,5%, revelando que o atraso está sendo cada vez mais longo.
Em relação ao comprometimento da renda, o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos vinculados às dívidas permaneceu em 19,5%, arrefecendo os dois meses anteriores de alta. A maior parte das famílias (56,1%) continua possuindo entre 11% e 50% da renda comprometida. Dessa forma, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas ficou em 29,7% em fevereiro, abaixo do resultado de fevereiro de 2025 (29,9%)
Principais modalidades de dívida
O cartão de crédito segue sendo citado pela maioria (85,0%) das famílias endividadas. Outras modalidades de destaque incluem:
- Carnês de loja: 16,0%
- Crédito pessoal: 12,3%
- Financiamento de casa: 9,8%
- Financiamento de carro: 8,9%



