7,5 milhões de brasileiros comprometeram a renda com bets no último ano

Levantamento realizado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), aponta que 39,5 milhões apostaram em bets no último ano.

 

Entre os que se classificaram como apostadores, 19% (cerca de 7,5 milhões) admitiram ter gasto valores que comprometeram sua renda. Outros 41% (16,2 milhões) disseram ter renunciado ao consumo de algo para apostar.

 

Endividamento em função das apostas também ganha força. Segundo a pesquisa, 17% dos entrevistados deixaram de pagar alguma conta para jogar e 29% já tiveram o nome negativado devido a gastos com jogos online. Entre eles, 17% ainda dizem estar nessa situação.

 

O gasto médio mensal com os jogos online de azar é de R$ 187. O levantamento identifica que o valor desembolsado aumenta conforme a classe social dos apostadores. Enquanto o gasto médio das classes C/D/E é de R$ 151,98, os integrantes dos níveis A e B apostam, em média, R$ 255,22 a cada mês.

 

Impacto negativo das bets vai além das questões financeiras. Para 28% dos entrevistados, as apostas resultaram em efeitos negativos em suas vidas: irritação (8%), conflitos familiares (8%) e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão (8%). A produtividade no trabalho ou nos estudos também foi afetada para 7% dos apostadores.

 

Avanço das apostas “acende um sinal de alerta urgente”. O presidente da CNDL, José César da Costa, alerta que o crescimento descontrolado dos jogos online coloca as casas de apostas como um problema social e econômico. “É fundamental que a regulamentação do setor priorize a proteção do consumidor, especialmente de jovens e famílias, e não apenas a arrecadação”, diz ele.