A Copa do Mundo promete impulsionar o consumo, com a expectativa de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros irão às compras para participar do Mundial. Entre eles, no entanto, 61% possuem dívidas em atraso, mostra levantamento realizado pela CND (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com a Offerwise Pesquisas.
O que aconteceu
60% dos brasileiros planejam gastar com produtos ou serviços para a Copa de 2026. O estudo destaca o Mundial como “um segundo Natal” para o varejo, com a movimentação intensa nos ambientes físicos e digitais. “A Copa do Mundo de 2026 reafirma sua posição como um dos principais catalisadores do varejo brasileiro”, afirma José César da Costa, presidente da CNDL.
O gasto médio por consumidor durante o Mundial deste ano está estimado em R$ 619. O valor sobe para R$ 784 entre as classes A e B. A preferência de 89% é pelo consumo nas lojas físicas, especialmente em supermercados (70%) e lojas de bairro (33%). Já 67% farão as compras pela internet.
Entre os que pretendem ir às compras para a Copa, 61% acumulam dívidas em atraso. No grupo, 70% estão com o “nome sujo” (negativados). O uniforme do torcedor é prioridade para 61% dos consumidores, que planejam comprar camisas oficiais ou temáticas, além de adereços como bandeiras e cornetas (42%).
Os serviços ganham fôlego com delivery (61%) e o fluxo em bares e restaurantes (39%). Entre os principais critérios dos torcedores para a escolha de bar ou restaurante para assistir aos jogos figuram o preço das comidas (37%), lugar bem frequentado (34%), a qualidade das bebidas e da comida (34%) e o preço das bebidas (33%).
Os brasileiros mantêm o hábito de transformar os jogos do Mundial em experiências coletivas. A expectativa de assistir às partidas em grupo é citada por 97% da população. As companhias previstas são principalmente familiares (77%) e amigos (60%). Apenas 3% dos entrevistados pretendem assistir às disputas sozinhos.
Para o comércio e serviços, isso [Copa do Mundo] representa uma oportunidade de ouro. A necessidade de o brasileiro se reunir em casa ou em estabelecimentos comerciais gera uma demanda em cadeia, consolidando o período como um pilar estratégico para o faturamento anual do setor.
José César da Costa
Bets
Apostas em plataformas esportivas serão realizadas por 41% dos consumidores. A pesquisa aponta que o comportamento é mais prevalente entre o público masculino e as classes A/B. Além das plataformas digitais, os tradicionais “bolões” entre amigos mantêm sua relevância social e são citados por 14% dos entrevistados.
Bets são vistas como forma de quitar as dívidas pendentes por 74% dos endividados. A manifestação é vista como uma oportunidade real de liquidação financeira por 31% dos negativados que pretendem usar a estratégia. Outros 43% dizem concordar parcialmente com a estratégia, tratando-a como uma forma de “tentar a sorte” com esse objetivo.
Caso vençam, a prioridade de 39% dos apostadores é reinvestir o dinheiro nas bets. A opção é mencionada como uma tentativa de alavancar os ganhos. Outras intenções incluem gastos com lazer e luxo (36%), aquisição de bens como eletrônicos e vestuário (34%) e a quitação de débitos (34%).
SPC Brasil alerta que as apostas elevam o risco financeiro e exigem atenção redobrada. “Observamos uma tendência preocupante de que a aposta deixe de ser um mero entretenimento para ser encarada por uma parcela significativa da população como uma estratégia de sobrevivência ou ‘tábua de salvação’ para quitar dívidas pendentes”, lamenta Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil.
Esse comportamento, associado ao alto índice de negativados entre os potenciais consumidores, aponta para uma vulnerabilidade econômica latente, onde a esperança de liquidação financeira através da sorte pode acabar aprofundando o ciclo de endividamento de muitas famílias brasileiras.Roque Pellizzaro Júnior



