Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ontem mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado.
À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.
Publicamente, integrantes do PL trataram o caso apenas como um novo revés, mas as justificativas apresentadas foram consideradas pouco plausíveis. Integrantes da cúpula avaliam que, de 10 a 15 dias, será o tempo para reavaliar se Flávio terá condições de prosseguir como candidato e se as denúncias serão relevantes eleitoralmente.
Depois de passar os últimos dias em reuniões reservadas com Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, Flávio reuniu ontem cerca de 70 deputados e senadores do partido em Brasília. Aliados ainda demonstram incômodo com a condução política do caso e com a forma como o senador reagiu publicamente às revelações.
Ao tentar reverter a situação para o seu eleitorado, o pré-candidato chegou a divulgar o trailer do filme nas redes sociais. Interlocutores próximos a Valdemar afirmam que cresceu na cúpula do partido a avaliação de que o PL precisa começar a olhar opções caso novos desdobramentos atinjam o filho do ex-presidente.
Qualquer mudança, porém, teria que passar pelo crivo do ex-presidente, que está em prisão domiciliar, onde mantém diálogo frequente com Flávio.
Por Luísa Marzullo , Letícia Pille e Lauriberto Pompeu – O Globo



