Banco Central reúne-se esta semana e decide taxa de juros em ambiente de grandes incertezas

Em meio a um quadro de intensa volatilidade nos mercados, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá na próxima quarta-feira se dá sequência ao ciclo de cortes bastante gradual que vem implementando desde março.

 

A aposta dominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas nos últimos dias analistas passaram a ver uma probabilidade maior de manutenção da taxa de juros, principalmente após o resultado da inflação de maio vir acima do esperado e bater 4,72% em 12 meses, estourando o teto da meta para a inflação.

 

O centro do objetivo é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Foi a primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%) que a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta, de 4,5%.

 

Mais um corte de 0,25 ponto ou Selic inalterada?

Para a Warren Investimentos, o BC deverá manter a Selic inalterada em 14,50%, mas mantendo um tom neutro na comunicação, podendo voltar a encontrar espaço para cortes apenas na última reunião do ano. Nesse cenário, a Selic encerraria 2026 em 14,25%.

 

“Chegamos a um ponto crítico para a condução da política monetária. A continuidade do processo de calibragem, com cortes adicionais na taxa Selic sob a justificativa de que a política monetária permanece excessivamente restritiva, em um momento de deterioração expressiva do cenário, poderia levar o mercado a questionar a credibilidade do Banco Central e sua disposição em garantir a convergência da inflação à meta”, avalia a Warren.

 

Expectativa de menos cortes até o final do ano

A piora contínua nas projeções para a inflação tem levado o mercado a ver menos cortes de juros até o fim do ano. Segundo o último boletim Focus, a taxa básica de juros esperada para o final de 2026 passou a ser calculada em 13,50%, ante previsão até então de 13,25%. E há quem veja a possibilidade da Selic encerrar 2026 em 14,25%.

 

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, destaca que, desde a última reunião do Copom, a projeção de IPCA passou de 4,86% para 5,11% para 2026, de 4% para 4,03% para 2027 e de 3,61% para 3,65% para 2028.

 

“Considerando as sensibilidades dos modelos do Banco Central, acreditamos que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem permanecer acima da meta. Essa deterioração sugere a necessidade de uma mudança na comunicação, reconhecendo a piora do balanço de riscos e menor comprometimento com os passos futuros da política monetária”, afirma.