PGR tende a rejeitar segunda delação de Vorcaro, e Mendonça deve decidir futuro do banqueiro nesta semana

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está inclinada a rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

 

Com a Polícia Federal já posicionada contra o acordo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir ainda nesta semana o futuro das negociações e a situação prisional do investigado.

 

A Polícia Federal já formalizou a rejeição da segunda proposta de delação apresentada pelo banqueiro e encaminhou ao ministro um pedido para que ele deixe a cela especial da Superintendência da corporação e seja transferido para a Penitenciária Federal de Brasília. Para os investigadores, as informações apresentadas pela defesa não trouxeram fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração capazes de justificar a continuidade das tratativas.

 

A posição da PGR ainda não foi formalizada, mas deve ser apresentada ainda nesta semana. Como o GLOBO mostrou nos últimos dias, a PGR manteve a proposta sob análise mesmo após a manifestação da Polícia Federal e vinha realizando uma avaliação mais aprofundada do material apresentado pela defesa.

 

Apesar disso, interlocutores a par das discussões afirmam que a tendência dentro da PGR também é desfavorável ao acordo. A avaliação predominante é que as informações apresentadas pela defesa carecem de meios de prova e não trazem, até o momento, fatos novos capazes de contribuir de forma relevante para o avanço das investigações. Ainda assim, a defesa via na análise da Procuradoria sua principal chance de manter viva a negociação.

 

Mendonça já indicou a interlocutores que considera desejável uma posição convergente entre a PF e a PGR sobre o caso. A situação difere da primeira tentativa de delação, rejeitada em maio, quando a Polícia Federal abandonou as negociações enquanto a Procuradoria manteve as tratativas abertas. O ministro também já sinalizou que a colaboração só deverá avançar caso apresente fatos efetivamente inéditos e relevantes para as investigações.

 

Integrantes envolvidos no caso afirmam que a Procuradoria ainda examinava a consistência dos relatos, a possibilidade de comprovação dos fatos narrados e a utilidade prática das informações para o avanço das investigações.

 

Desde março, Vorcaro ocupa uma cela especial na Superintendência da PF em razão das negociações para um acordo de colaboração. Após firmar um termo de confidencialidade, ele passou a receber diariamente seus advogados, das 9h às 17h, para discutir os termos da proposta. A segunda versão da delação foi apresentada após a rejeição da primeira tentativa e depois de uma troca na equipe de defesa.

 

Esta é a segunda vez que a Polícia Federal se retira das negociações com o banqueiro. A primeira ocorreu em maio e levou a uma mudança na equipe de defesa. Na ocasião, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso, que passou a ser conduzido pelo criminalista Sérgio Leonardo.

 

Interlocutores da defesa, por sua vez, sustentam que o material apresentado contém relatos inéditos e informações relevantes para as investigações. Na visão deles, há resistência de investigadores em prosseguir com as negociações, apesar dos complementos feitos à proposta ao longo das últimas semanas.

 

Vorcaro é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que teria causado prejuízos bilionários a investidores e correntistas do Banco Master, incluindo fundos de previdência de estados e municípios. As investigações também apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, intimidação de adversários, monitoramento ilegal de autoridades e tentativas de interferência em órgãos de fiscalização.