O número de paranaenses que acumularam dívidas caiu no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado. É o que revela a nova edição da pesquisa Retrato Econômico do Paraná, realizada pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Paraná (IEPTB/PR), entidade que representa os Cartórios de Protesto do estado.
Chama atenção que a maior fragilidade financeira dos paranaenses continua sendo a ausência de uma reserva para imprevistos. Segundo o levantamento,62% dos entrevistados afirmaram não possuir qualquer reserva de emergência, exatamente o mesmo percentual registrado em 2025.
O dado ajuda a explicar outro resultado da pesquisa: os gastos imprevistos continuam sendo o principal motivo para o endividamento. Entre aqueles que conseguem guardar dinheiro, 41% poupam apenas ocasionalmente e 33% realizam aportes mensais.
O levantamento mostra que 26% dos entrevistados afirmaram ter acumulado dívidas nos primeiros seis meses de 2026, contra 39% no mesmo período de 2025. A redução coincide com a diminuição do desemprego entre os fatores apontados pelos entrevistados como causa do endividamento.
A pesquisa revelou pela primeira vez que, entre os inadimplentes, 32% possuem dívidas vencidas entre 30 e 90 dias, enquanto 22% acumulam débitos com atraso entre 91 e 180 dias. Outros 19% não souberam informar há quanto tempo estão inadimplentes.
Cartão de crédito ainda é o principal vilão dos paranaenses endividados
O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida dos paranaenses, citado por 30% dos entrevistados. Embora tenha registrado queda em relação aos 34% observados no mesmo período de 2025, permanece a principal fonte de desequilíbrio financeiro.
Na sequência, aparecem os empréstimos pessoais, responsáveis por 19% das dívidas, percentual superior ao registrado no ano anterior. O crediário e os carnês de lojas representam 11% dos casos.
“O crescimento dos empréstimos pessoais pode indicar uma migração de dívidas originalmente concentradas no cartão de crédito para modalidades de crédito com prazos mais longos, utilizadas para reorganização financeira ou renegociação de débitos anteriores”, destaca o presidente do Instituto de Protesto do Paraná.
Gastos imprevistos e problemas de saúde são principais causas do endividamento
Gastos imprevistos ou emergenciais aparecem, novamente, como a principal razão para o endividamento dos paranaenses. A pesquisa aponta que 36% dos entrevistados atribuíram as dívidas a despesas inesperadas, como problemas de saúde, manutenção de veículos ou outras emergências.
Já a falta de planejamento financeiro apresentou queda, passando de 28% para 20%. Em contrapartida, o consumo excessivo aumentou de 11% para 16%.
A pesquisa também apontou redução do desemprego como fator associado ao endividamento. Em 2025, 23% dos entrevistados atribuíam as dívidas à perda de renda ou ao desemprego. Em 2026, esse percentual caiu para 12%.
Entre os entrevistados que possuem dívidas, 36% afirmaram não saber estimar quanto da renda mensal está comprometida com o pagamento de débitos e prestações. Outros 23% disseram destinar entre 11% e 30% da renda para essa finalidade, enquanto 17% comprometem de 31% a 50% dos rendimentos. Já 15% declararam não conseguir arcar com os pagamentos das dívidas, e 8% informaram que comprometem até 10% da renda mensal.



