Otimismo de Flávio com dividendos eleitorais da crise no STF contrasta com cautela de aliados sobre evolução do escândalo do Master

O avanço da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido visto com otimismo por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conseguiu transformar o embate entre ministros em um dos principais eixos de sua campanha presidencial e deslocar parte das atenções das investigações do caso Master. Nos bastidores, porém, aliados do candidato adotam uma postura mais cautelosa.

 

Pessoas próximas acompanham o surgimento de novos elementos relacionados ao banco e passaram a aconselhar Flávio a moderar o discurso sobre a Corte.

 

O alerta em relação ao tom ganhou força após a agenda do candidato nesta quarta-feira em Juiz de Fora (MG). Flávio acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar vencer a eleição “no tapetão”, disse que o governo estaria instrumentalizando a Polícia Federal para perseguir adversários e atacou diretamente o ministro Flávio Dino por ter determinado a volta de Andrei Rodrigues ao comando da corporação.

 

— O ex-ministro do Lula, que é o Flávio Dino, dá uma canetada completamente contra os precedentes históricos do Supremo, contra a lei, tentando interferir no processo judicial — afirmou.

 

Tanto é fato que a Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) em operação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) são alvos da ação. Duas entidades de propriedade de Karina também têm buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

 

O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito era de São Paulo e foi avocado para o STF. A operação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão.

 

A PF informa ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e afirma que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano.

 

Delação homologada

Na quarta (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.

 

Mineiro é dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fez repasses para o filme “Dark Horse”. O dinheiro foi pedido a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.

 

🔎 A delação ou colaboração premiada é um meio de obtenção de provas nas investigações criminais. Nesse recurso, o investigado se dispõe a cooperar com o processo e a investigação. Em troca, o Estado pode dar benefícios a ele, como redução de pena em caso de condenação.

 

O empresário afirmou em sua delação — assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto — que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.

 

Mineiro disse ainda que fez sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.

 

As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.

 

Valor pedido para filme de Bolsonaro supera orçamento de indicados ao Oscar

Os R$ 134 milhões solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), superam os orçamentos somados de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, filmes brasileiros indicados ao Oscar nos últimos dois anos.

 

Indicado ao Oscar em 2026, “O Agente Secreto” captou R$ 7,5 milhões do FSA em sua fase de produção, segundo a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Ao todo, o filme custou R$ 28 milhões: R$ 9 milhões vieram de financiadores internacionais. Para a etapa de distribuição do longa, o FSA contribuiu com mais R$ 750 mil.

 

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2025, “Ainda Estou Aqui” não captou recursos por leis de incentivo. Por isso, os realizadores não precisaram informar à Ancine o orçamento do filme. Uma reportagem da Folha de S.Paulo de fevereiro de 2025 informa que a quantia era estimada em R$ 45 milhões — sem contar as verbas de distribuição e divulgação.