Corrida presidencial: dobra o número de eleitores indecisos, indica pesquisa

Com o aumento dos eleitores indecisos, que passaram de 7% para 14% segundo a Quaest divulgada nesta quarta-feira, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificam as estratégias para conquistar os votos ainda em disputa neste segundo turno.

 

Nos eventos políticos, o senador e seus aliados endurecem as críticas ao presidente e procuram associá-lo a um governo que já teve oportunidades de promover mudanças no país, mas não teria apresentado os resultados esperados. No horário eleitoral, a orientação é seguir por outro caminho, com uma abordagem mais leve e centrada nas propostas do candidato do PL.

 

A estratégia prevê manter em evidência as principais bandeiras apresentadas por Flávio ao longo da campanha, com ênfase em segurança pública, medidas para melhorar a economia e o chamado tesouraço, nome dado à proposta de corte de gastos. A equipe também pretende insistir na mensagem de que programas sociais, como o Bolsa Família, serão mantidos em um eventual governo do senador, em resposta às acusações de Lula de que o adversário poderia acabar com o benefício.

 

Do outro lado, a campanha de Lula mira as mulheres indecisas na reta final do segundo turno. Para estrategistas do petista, o público feminino que ainda não escolheu entre os dois candidatos é o mais fácil de ser convencido a optar por Lula. A linha usada é direcionar a construção de peças publicitárias e vídeos para as redes a mensagens que sensibilizem as mulheres.

 

A possibilidade de perda de benefícios sociais, políticas públicas e até de leis trabalhistas deve ser explorada junto a esse público. Um dos focos é o argumento de que Flávio poderá mudar o fim da escala 6×1, recém-aprovada pelo Congresso.

 

Falas e posições do senador consideradas machistas também serão exploradas com mais contundência. Uma delas é uma votação de 2006 em que Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual do Rio a votar contra uma proposta que previa multas para estabelecimentos que comercializassem cartões-postais com imagens de mulheres seminuas, em uma iniciativa de combate ao turismo sexual no Rio de Janeiro.

 

Para integrantes da coordenação da campanha petista, o dado mais importante da pesquisa Quaest desta quarta-feira está na pergunta espontânea, na qual o número de indecisos dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%. Petistas avaliam que parte desse eleitorado é formada por mulheres que têm receio de perder conquistas, enquanto os homens seriam menos sensíveis a esse tipo de risco eleitoral. Além disso, apontam que a maioria de Flávio no Congresso Nacional e a declaração de que pretende mudar a Constituição — sem especificar o que buscará alterar — podem despertar receio entre os eleitores.

 

A mesma preocupação com a apresentação de propostas deve orientar a participação de Flávio no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira. Embora tenha cancelado a sabatina que faria no SBT nesta quarta-feira, o senador decidiu comparecer ao último confronto direto com Lula na campanha. Segundo aliados, a presença tem peso simbólico, por demonstrar disposição para enfrentar o adversário em um dos principais eventos televisivos da reta final, mas também representa uma oportunidade de falar diretamente a milhões de eleitores que buscam respostas sobre o que cada candidato pretende fazer caso eleito.

 

Interlocutores do senador avaliam que ele não conseguiu aproveitar plenamente essa oportunidade no debate da Band, no último domingo. Na avaliação desse grupo, o confronto ficou excessivamente concentrado em ataques mútuos, sem que Flávio respondesse a todas as questões que poderiam ajudar o eleitor a compreender suas propostas. A expectativa é que, na Globo, o candidato consiga dar mais espaço à apresentação de seu programa, sobretudo nas áreas de segurança pública e economia, além de reforçar a promessa de manutenção de benefícios sociais como o Bolsa Família.