Com mercado dividido após reeleição de Lula, BC decide nesta quarta entre novo corte ou manutenção da taxa de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (16) para definir o patamar da taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 13,75% após cinco cortes seguidos.

 

🕝A decisão do BC sobre a taxa de juros será anunciada após as 18h.

 

Na primeira reunião do Copom após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mais um mandato, os economistas dos bancos estão divididos: a maioria ainda aposta em um novo corte, para 13,50% ao ano, mas parcela considerável prevê manutenção da Selic no atual patamar.

 

Com a Selic em 13,75% ao ano, o Brasil lidera um ranking de 40 países elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence. Considerando os juros reais, que descontam a inflação estimada para os próximos 12 meses, a taxa brasileira é de 8,45% ao ano, seguida pela da Rússia, de 6,79% ao ano.

 

🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.

 

Piora de cenário

Depois de confirmada a vitória de Lula, o mercado financeiro elevou consideravelmente suas projeções de inflação, reduziu as expectativas de crescimento da economia e passou a prever uma taxa de juros mais elevada do que antes. As estimativas para o dólar também subiram bastante.

 

Para definir os juros, o BC atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.

 

Desde o início de 2025, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Ao decidir a taxa básica de juros, o Copom considera principalmente a inflação esperada para os próximos anos, e não apenas a variação de preços observada nos últimos meses.

 

Isso ocorre porque mudanças na Selic levam tempo para produzir efeitos sobre a economia. Neste momento, por exemplo, a autoridade monetária já está mirando o segundo trimestre de 2028, período considerado o “horizonte relevante” para suas projeções.

 

Embora leve em conta as estimativas do mercado para os próximos anos, que recentemente passaram a indicar câmbio mais depreciado e inflação mais alta, o BC também trabalha com suas próprias projeções para os indicadores econômicos.

 

Deste modo, uma piora das expectativas do mercado não é automaticamente incorporada ao cenário utilizado pela autoridade monetária para definir a taxa de juros.