Aprovado a 1ª versão por via oral, em comprimido, de “canetas emagrecedoras”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira, uma versão em comprimidos do medicamento Wegovy, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, para tratamento da obesidade.

 

O fármaco, que tem como princípio ativo a semaglutida, é a primeira versão oral de um remédio da classe conhecida como “canetas emagrecedoras” a receber o aval no Brasil para perda de peso. A expectativa do laboratório é iniciar a comercialização no primeiro semestre de 2027.

 

A versão injetável do Wegovy já era autorizada para tratamento de indivíduos com obesidade (IMC ≥30 kg/m²) ou com sobrepeso (IMC ≥27 kg/m² a <30 kg/m²) e uma comorbidade associada ao peso, a partir dos 12 anos de idade, em conjunto com uma dieta hipocalórica e aumento da atividade física. A versão em comprimidos foi aprovada para o mesmo objetivo, porém apenas para adultos.

 

Em nota, a Anvisa destaca que a semaglutida “atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade”. Já existia uma versão oral da semgalutida aprovada, o Rybelsus, também da Novo Nordisk, mas apenas para diabetes tipo 2 por não promover uma perda de peso.

 

Wegovy oral

O Wegovy oral é administrado uma vez ao dia e, assim como a versão injetável, envolve um aumento gradual da dose utilizada, iniciando em 1,5 mg, avançando para 4 mg, depois 9 mg, até atingir a dose diária de manutenção recomendada, de 25 mg.

 

O medicamento precisa ser tomado em jejum, com uma pequena quantidade de água, aguardando-se pelo menos 30 minutos depois para a ingestão de alimentos, bebidas ou outros remédios.

 

A agência sanitária brasileira destaca que a nova apresentação oferece “mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde, o que inclui a possibilidade de transição entre as formulações oral e subcutânea (injetável), quando clinicamente apropriado, de acordo com as orientações aprovadas em bula”.

 

Ainda não há, porém, estimativas de custo no Brasil. Antes disso, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo que poderá ser cobrado pela farmacêutica no país, uma das etapas do processo para que um novo medicamento seja comercializado nas drogarias brasileiras.

 

Nos Estados Unidos, o tratamento mensal com a dose de manutenção, de 25 mg, é aproximadamente 299 dólares, o equivalente a cerca de R$ 1,6 mil na cotação atual. No país norte-americano, o tratamento foi lançado em janeiro deste ano, e mais de 7 milhões de prescrições já foram dispensadas.

 

A aprovação da Anvisa teve como base os resultados do estudo clínico de fase 3 chamado OASIS 4, que avaliou a eficácia da semaglutida oral na dosagem de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, e observou que, após 64 semanas de tratamento, a medicação levou a uma perda média de 13,6% do peso.

 

Uma análise posterior considerando um cenário em que todos os pacientes permanecessem em tratamento estimou que essa redução do número na balança pode chegar a aproximadamente 17%. Além disso, nos testes, 1 em cada 3 voluntários perdeu 20% ou mais do peso no período.

 

Além disso, segundo a Anvisa, a medicação promoveu melhora em diversos marcadores de saúde cardiometabólica dos pacientes. Para comparação, o Wegovy injetável, no estudo também de fase 3 chamado STEP-4, levou a uma perda de peso de aproximadamente 17,4% após 68 semanas.