A Justiça italiana decidiu nesta terça-feira (20) adiar o posicionamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Ela está presa na Itália e seria extraditada para o Brasil, a pedido da justiça brasileira. O veredicto ocorreu após audiência realizada em Roma.
Uma nova audiência será anunciada para daqui a 10 a 15 dias. Será uma sessão extraordinária, em que será analisado somente o caso da ex-deputada.
Os advogados de Zambelli fizeram solicitações aos três juízes que cuidam do caso. Eles querem incluir uma testemunha no processo e mais informações sobre as condições carcerárias no Brasil. Também vão pedir que os juízes sejam substituídos por outros da mesma corte, a pedido da própria ex-deputada.
A Corte de Apelação de Roma atua como primeira instância nesse caso. Após a decisão do tribunal, as partes podem recorrer. A expectativa é que todo o processo de extradição seja concluído no primeiro semestre deste ano.
Zambelli está detida desde o fim de julho no complexo penitenciário de Rebibbia, na capital italiana, depois de ficar dois meses foragida. A ex-deputada se diz vítima de perseguição política pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Se for extraditada para o Brasil, o tempo de detenção na Itália será descontado da pena restante que deve ser cumprida. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, indicou que Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, de segurança média.
Histórico
Depois de ter sido poupada da cassação pelo plenário da Câmara, decisão que depois foi derrubada pelo STF, Zambelli renunciou em dezembro ao mandato.
Ela fugiu do país em junho para escapar da pena de dez anos de prisão referente à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes. Quando já estava na Itália, foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os dois casos compõem um único processo de extradição.
Antes de chegar à Itália, após passagem por Argentina e Estados Unidos, Zambelli, que tem dupla cidadania, disse que o passaporte italiano a tornaria “intocável” e impediria que ela fosse mandada de volta ao país.



