A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou no campo oposto ao do presidente Lula (PT) na disputa presidencial deste ano, aponta o Datafolha. O senador fluminense se aproxima do petista nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do rival.
A nova pesquisa é a primeira feita pelo instituto desde que Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a partir da cadeia. Recebida inicialmente com ceticismo, dada a preferência do centrão pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a pré-candidatura se firmou.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
Veja os números:
- Lula (PT) – 46% (eram 51% em dezembro);
- Flávio Bolsonaro (PL) – 43% (eram 36% em dezembro);
- Branco/nulo/nenhum – 10% (eram 12% em dezembro);
- Não sabem – 1% (era 1% em dezembro).
Lula x Ratinho Jr.
- Lula (PT) – 45% (eram 47% em dezembro);
- Ratinho Junior (PSD) – 41% (eram 41% em dezembro);
- Branco/nulo/nenhum – 13% (eram 11% em dezembro);
- Não sabem – 2% (era 1% em dezembro).
Lula x Ronaldo Caiado
- Lula (PT) – 46% (eram 47% em dezembro);
- Ronaldo Caiado (PSD) – 36% (eram 41% em dezembro);
- Branco/nulo/nenhum – 16% (eram 11% em dezembro);
- Não sabem – 2% (era 1% em dezembro).
Lula x Eduardo Leite
- Lula (PT) – 46% (eram 47% em dezembro);
- Eduardo Leite (PSD) – 34% (eram 41% em dezembro);
- Branco/nulo/nenhum – 18% (eram 11% em dezembro);
- Não sabem – 2% (era 1% em dezembro).
Concorrem para o cenário turvo para o petista hoje as nuvens que congestionam o céu da política brasileira. O escândalo do Banco Master por ora tem poupado o núcleo do governo, mas a percepção de corrupção acaba colocada na conta dele.
Além disso, o foco no ministro do Supremo Alexandre de Moraes, visto como algoz do ex-presidente por seu papel na investigação e julgamento da trama golpista, favorece Flávio. Mas só até certo ponto, dado que até aqui o entorno de Bolsonaro é mais citado no caso –a começar pelo ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP).
Outro escândalo, o do INSS, atinge não só o governo em si, mas o presidente: seu filho Fábio Luís está cada vez mais enrolado devido à sua ligação a um personagem central do caso, e os pesquisadores do Datafolha estavam em seu último dia de coleta de dados quando emergiu a movimentação de sua conta bancária.
Há incertezas econômicas também, a que se somam as dúvidas em torno do impacto da guerra no Oriente Médio. Ainda que, como se diz proverbialmente em Brasília, “o povo não come PIB”, a perda de fôlego do indicador em 2025 devido às altas taxas de juros pode aumentar o azedume com o governo, particularmente na classe média, cujo consumo das famílias tem caído.
Também contribuem fatores mais intangíveis, como a celeuma em torno da homenagem feita pela rebaixada Acadêmicos de Niterói ao presidente no Carnaval.



