O governo decidiu prorrogar a atual edição do programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas bancárias. O Desenrola 2.0 foi lançado em maio e tinha previsão original de encerramento na próxima segunda-feira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a iniciativa será estendida até 31 de agosto. Dessa forma, o programa estará em vigor quando começar a campanha eleitoral, mais próximo da eleição.
A mudança de data ocorre também a pedido dos bancos, que avaliam haver maior demanda. Segundo o ministro, a decisão não exigirá aportes no Fundo de Garantia de Operações (FGO), que cobre eventuais calotes, nem terá novas restrições ou alterações:
10 milhões de famílias
O ministro estima que, com a prorrogação, o governo deve alcançar 10 milhões de famílias beneficiadas.
Até o último dia 23, foram renegociados no novo Desenrola R$ 22 bilhões em dívidas, em um total de 3,6 milhões de operações. Após os descontos, o volume desses débitos caiu para cerca de R$ 4 bilhões.
Os números são da vertente do programa para dívidas de pessoas físicas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), contratados até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e 2 anos. Participantes podem obter descontos de até 90% e taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, com até 48 meses para pagar.
O desenho prevê a possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS para amortização parcial ou quitação das dívidas, mas a opção está sendo pouco usada. Até o momento foram feitas 110 mil operações, com valor de apenas R$ 62,2 milhões.
O Desenrola foi recriado em um contexto de alta do endividamento e elevado comprometimento de renda das famílias, que, na visão do governo, estava gerando outros riscos para a economia no médio e longo prazos — e vinha impactando negativamente a popularidade presidencial.
A lógica do programa é que os bancos renegociem os débitos e abram uma nova dívida, menor e com garantia do FGO, o que reduz o risco de inadimplência para as instituições, ao mesmo tempo em que, no médio prazo, recupera-se a capacidade de consumo das famílias.
Estatísticas de endividamento do Banco Central mostram que as dívidas correspondem a 30% da renda acumulada em 12 meses pelas famílias. Esse percentual se mantém praticamente no mesmo patamar desde o fim de 2021, na métrica que desconsidera o crédito habitacional. E o juro alto pesa no orçamento.



