O governo Trump anunciou nesta terça-feira (3) a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em retaliação à demora do Brasil de conceder aval para que Daniel Perez assuma suas funções como novo embaixador dos EUA em Brasília. A medida equivale à expulsão da diplomata do território americano.
Auxiliares de Trump destacaram que o visto de Viotti só será reestabelecido caso o governo Lula dê a luz verde para Perez um procedimento conhecido como agrément.
Os Estados Unidos solicitaram autorização ao Brasil para nomear Perez no jargão diplomática chamado agrément um mês depois de a Casa Branca tornar pública sua indicação. Ao agir dessa forma, romperam com a prática tradicional, segundo a qual o país que envia o embaixador consulta previamente a nação anfitriã e aguarda sua manifestação antes de oficializar a indicação.
Governo alega que são falsas as alegações americanas
O governo federal acusou nesta terça-feira (4) a gestão Donald Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu depois que os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
“O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas. O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência”, diz uma nota do governo federal, datada desta terça-feira.
Até o momento, diplomatas do governo diziam que as recentes investidas dos EUA contra o Brasil não afetariam a concessão do agrément ao embaixador americano. Por outro lado, afirmavam que o governo Trump enviou o nome de Daniel Perez fora dos procedimentos padrões.
Embora tenham se passado mais de 30 dias desde a solicitação do agrément de Perez ao Brasil, o processo de sua nomeação se arrasta por mais tempo: são mais de dois meses desde que Trump anunciou seu nome, medida tomada antes mesmo de consulta ao governo brasileiro -o que também é incomum na diplomacia.
A praxe é que o país que envia o embaixador consulte previamente a nação anfitriã e aguarde sua manifestação antes de oficializar a indicação.
A diplomata brasileira ainda não será expulsa dos EUA, contudo. Caso Viotti deixe os Estados Unidos, terá de solicitar um novo visto para retornar ao país, esclareceu o porta-voz -que, ao mesmo tempo, disse que novas medidas não estão descartadas caso o governo Lula não aceita a indicação de Perez, insinuando que Viotti ainda pode ser forçada a sair.



