Após três resultados negativos consecutivos, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), indicador utilizado no reajuste da maior parte dos aluguéis no Brasil, subiu para 1,57% em setembro. Com a variação, o indicador passou a acumular alta de 3,34% nos últimos 12 meses, percentual que será repassado para os contratos de locação e serviços que vencem em outubro.
Como foi o IGP-M
Inflação do aluguel ganhou força em setembro. A alta de 1,57% do IGP-M reverte a trajetória de três deflações apuradas pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) nos meses de junho (-0,5%), julho (-1,16%) e agosto (-0,22%).
IGP-M acumulado em 12 meses também acelerou. Apesar dos dois meses de desaceleração, o resultado deste mês faz com que o índice acumulado desde outubro do ano passado alcance 3,34%, maior percentual desde junho do ano passado (+4,39%). Em setembro de 2025, o índice subia 2,82%.
Reajuste valerá para os contratos que vencem em outubro. A variação positiva do IGP-M será aplicada aos contratos de aluguel atrelados ao indicador com vencimento no próximo mês. O inquilino que paga mensalmente R$ 1.500 de aluguel, por exemplo, terá o valor dos boletos aumentado em R$ 50,10 e passará a pagar R$ 1.550,10.
Depois de registrar queda em agosto, o índice volta ao terreno positivo com pressões simultâneas no produtor e no consumidor.Matheus Dias, economista do Ibre
Por que o IGP-M subiu
Preços ao produtor subiram 2,08% em setembro. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que havia caído 0,34% em agosto, subiu 2,08%, impulsionado pela alta de matérias-primas brutas (3,61%), como a soja, o milho e a carne bovina.
Inflação ao consumidor também acelerou e avançou 0,5%. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) que também tinha registrado deflação em agosto (0,41%), subiu puxado principalmente pelo valor das contas de luz, que aumentou devido à volta integra das cobranças, sem os descontos do Bônus de Itaipu concedidos em agostos.
Custo da construção civil perdeu ritmo e avançou 0,25%. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que havia registrado alta de 0,85% em agosto, subiu 0,25% em setembro. A variação foi motivada pela desaceleração em materiais, serviços e mão de obra.
O que é o IGP-M
Índice surgiu no final da década de 1940 para oferecer uma visão ampla sobre os preços. Para isso, o IGP-M acompanha etapas do processo produtivo e atividades econômicas e funciona como um termômetro para empresas, governos e consumidores que precisam acompanhar a inflação.
Aplicação prática do índice ganha destaque como referência para reajustes contratuais no país. O mercado usa o indicador para corrigir tarifas de energia elétrica e telefonia, além de ser a base para a atualização anual de valores no setor imobiliário, como em contratos de aluguel.
Setor de serviços também adota o índice para corrigir prestações de atividades essenciais. Contratos de educação, planos de saúde e parcerias público-privadas usam o indicador por causa de sua regularidade histórica, que serve para nortear negociações e ajustes de longo prazo.
Cálculo do IGP-M combina três indicadores diferentes para formar a média ponderada final. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) representa 60% da conta, enquanto o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) equivale a 30% e mede os impactos no consumidor final. Os demais 10% correspondem ao INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).



