Saúde de Bolsonaro exige cuidados mas ele pode ficar na Papudinha, diz laudo da PF

O laudo pericial divulgado nesta sexta-feira (06) pelo ministro Alexandre de Moares traz a análise da Junta Médica Oficial da Polícia Federal que concluiu que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro possui condições clínicas de continuar cumprindo na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

 

Embora o documento ateste que a saúde do ex-mandatário demanda cuidados contínuos e monitoramento, os peritos negaram a necessidade de transferência para um hospital penitenciário ou prisão domiciliar.

 

A perícia foi solicitada pela defesa após um episódio de queda e relatos de debilidade física. O laudo de 53 páginas detalha uma série de doenças crônicas, mas classifica o quadro geral como “estável”.

 

Cuidados sim, hospital não

A principal conclusão dos peritos criminais federais é que, apesar da idade e das múltiplas doenças, o ambiente prisional atual é compatível com o tratamento, desde que sejam feitas adequações.

 

No documento, os médicos afirmam categoricamente:

 

“O quadro clínico geral do periciado é estável, não havendo necessidade de encaminhamento de urgência no momento. Por outro lado, é inegável a presença de comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento.”

 

A defesa alegava condições graves como pneumonia, anemia e depressão para justificar a saída da unidade. No entanto, o laudo não comprovou a existência dessas três condições específicas após os exames.

 

Lista de doenças confirmadas

O exame clínico direto e a análise de documentos médicos confirmaram que Bolsonaro é portador de sete condições principais que exigem “otimização terapêutica”:

 

  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave;
  • Obesidade clínica;
  • Aterosclerose sistêmica;
  • Doença do refluxo gastroesofágico;
  • Queratose actínica (lesões de pele);
  • Aderências intra-abdominais (decorrentes de múltiplas cirurgias)

 

Sobre a gravidade do caso, o laudo destaca: “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar.”

 

Risco de quedas e “coquetel” de remédios

Um ponto de alerta levantado pela perícia diz respeito à medicação utilizada pelo ex-presidente, especialmente para o tratamento de soluços incoercíveis (uso de Clorpromazina e Gabapentina).

 

O laudo aponta que a interação entre os diversos medicamentos (polifarmácia) pode estar causando sedação excessiva e tonturas, o que explicaria o episódio recente de queda.

 

“O uso concomitante especialmente de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria, portanto, um cenário farmacológico de risco, no qual os possíveis efeitos adversos – sedação, letargia, tontura […] – apresentam relação com o risco de queda”*, diz trecho da análise.

 

Adaptações na “Papudinha”

Para que Bolsonaro permaneça na unidade militar com segurança, a Polícia Federal estipulou uma série de exigências estruturais e de rotina. O local, que possui 38,5 m² na parte interna e conta com quarto-sala, copa e banheiro, precisará de ajustes para evitar novos acidentes.

 

Entre as recomendações obrigatórias listadas no laudo estão:

 

  1. Instalação de grades de apoio em corredores e no box do banheiro;
  2. Campainhas de pânico/emergência adicionais para monitoramento em tempo real;
  3. Acompanhamento contínuo nas áreas comuns;
  4. Dieta fracionada e acompanhamento nutricional rigoroso;
  5. Fisioterapia contínua para ganho de força muscular e equilíbrio.

 

O documento encerra confirmando que, com essas medidas paliativas e o devido acompanhamento multiprofissional, a execução penal pode seguir no local atual.

 

Moraes encaminhou laudo para a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a defesa do ex-presidente. O ministro deu prazo de cinco dias para que o órgão e os advogados se manifestem sobre o documento e peçam eventuais complementos.