Brasil tem 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham

Dos 32,9 milhões de jovens com idade entre 14 e 24 anos que vivem no Brasil, 6,2 milhões (18,8%) não estudam nem trabalham, mostra relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

 

O número de jovens “nem-nem” cresce no primeiro trimestre de 2026. Os dados indicam o aumento de 700 mil pessoas com idade entre 14 e 24 anos na condição entre janeiro e março. A alta é justificada pela sazonalidade do período devido ao fim de contratos temporários e o recomeço escolar.

 

Quatro em cada dez membros da população jovem do Brasil só estudam. A relação é de 12,8 milhões na condição. Os demais núcleos são formados por 29,1% que apenas trabalham (9,6 milhões) e 13,2% dos que conciliam estudos e trabalho (4,3 milhões).

 

O total de jovens ocupados no Brasil supera o patamar pré-pandemia. Apesar do percentual sem colocação, o mercado de trabalho nacional tem 13,9 milhões de jovens ocupados, número com 569 mil pessoas a mais do que o nível de dezembro de 2019, último trimestre sem os impactos da pandemia na economia.

 

A recuperação do emprego jovem é consistente. O desafio passa a ser a qualidade e a permanência nesses postos.Ministério do Trabalho

 

Desemprego entre a população recua, mas segue acima da média nacional. Enquanto 5,8% dos trabalhadores brasileiros procuram emprego sem sucesso, o nível é bem maior entre os jovens com idade entre 18 e 24 anos (13,8%) e os menores (25,1%). Os percentuais indicam que 2,7 milhões de jovens e 586 mil adolescentes estão desempregados.

 

Quase 60% dos jovens empregados atuam em escrituração ou vendas em lojas. O relatório do Ministério do Trabalho indica que o emprego do jovem se concentra na baixa especialização. As funções de balconistas e vendedores (1,24 milhão), escriturários gerais (1,07 milhão) e auxiliares de construção (394 mil), recepcionistas (391 mil) e caixas (367 mil) lideram os postos.

O emprego jovem se concentra em poucas funções de comércio e serviços, de baixa especialização e salário próximo ao mínimo. É a raiz da baixa permanência e da dificuldade de ascensão.Ministério do Trabalho