O Comitê de Política Monetária (Copom) — formado por diretores do Banco Central (BC) e liderado pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo — inicia hoje a reunião de dois dias que vai definir a taxa básica de juros (Selic) do Brasil.
Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira.
Os agentes financeiros aguardam um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic no Copom desta semana diante da melhora na inflação, o que levaria a Selic para 14%, em linha com a precificação do mercado.
O BC também deve manter as opções em aberto para as próximas reuniões, sem sinalizações concretas, dada a elevação das expectativas de inflação e a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, segundo analistas.
Também existe a expectativa de que o comunicado seja ajustado para retirar trechos considerados confusos da reunião anterior.
Economistas e gestores avaliam que o alívio na inflação favorece a extensão do processo chamado pelo Banco Central de “calibração” da taxa básica. A leitura do IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado e apresentou desaceleração dos núcleos — medidas que excluem itens voláteis como alimentos e energia.
O indicador também apontou a dissipação do choque do petróleo, provocado pelo conflito no Irã, e a perda do vigor do impulso fiscal, com bom comportamento dos preços de serviços e bens industriais.
Do lado da atividade, os números têm surpreendido para baixo. Os dados de vendas no varejo, volume de serviços e produção industrial de maio ficaram todos aquém das expectativas do mercado.
A tendência na comunicação é de que o Copom reconheça a melhora na inflação e a moderação na atividade no curto prazo. No entanto, deve seguir sem sinalizar próximos passos mantendo a cautela com as expectativas de inflação, que seguem acima da meta na Focus, e manter o balanço de riscos assimétrico dado o nível de incerteza.
Por Bloomberg — São Paulo



