De olho nas eleições, governo prepara renegociação de dívidas das famílias

A seis meses da eleição, o governo Lula corre para tentar reduzir o alto nível de endividamento que corrói a renda de boa parte da população. É uma tentativa de reduzir a rejeição nas pesquisas às vésperas de o presidente concorrer à reeleição e não descumprir uma das principais promessas da campanha que lhe deu o terceiro mandato.

 

O governo e as instituições financeiras estão detalhando o novo programa de renegociação de dívidas. A opção com mais apoio é a de haver uma linha de crédito para que, na renegociação, o devedor quite a dívida antiga mais cara com desconto. E fique com uma nova dívida, menor e mais barata, parte dela assegurada pelo Fundo Garantidor de Operações. Por causa dessa garantia, a taxa de juros poderá ser substancialmente menor. Neste momento, estão identificando qual será o público-alvo. Já se sabe que o foco principal é inadimplentes com renda até três salários mínimos, e se estuda um mecanismo para devedores com renda acima desse valor.

 

— O desenho de preferência, tanto do sistema financeiro quanto do governo e do Banco Central, é o que consolida a dívida. A dívida é quitada, baixada, e uma nova dívida entra em cena com o valor consolidado — disse uma fonte que participa da formulação do programa.

 

Ao todo, há R$ 175 bilhões em atraso. Desse total, R$ 107 bilhões são das três modalidades que estão em questão: as do rotativo do cartão de crédito, as do cheque especial, e as do crédito pessoal sem incluir o consignado. O total em inadimplência dessas três linhas é 60% do saldo em atraso no sistema. Nem tudo será renegociado, porque essa estatística se refere desde a de um dia de atraso até 720 dias de atraso, ou seja, dois anos.

 

As três dívidas, do crédito pessoal, cartão e cheque especial, serão consolidadas numa só. Os bancos, fintechs e cartões darão desconto, o governo dará a garantia, para que o devedor quite seu débito e assuma um novo compromisso, de forma mais fácil de pagar. A expectativa é reduzir bastante as dívidas das famílias.