O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira, 2, uma ofensiva para colar na família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações do Brasil com os Estados Unidos, após o anúncio, na véspera, pelo Escritório de Comércio dos EUA, de que propôs um novo tarifaço de 25% sobre várias exportações do Brasil.
“Sabotadores”, “entreguistas” e “traidores da pátria” foram algumas das expressões usadas por autoridades brasileiras para classificar os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. Flávio é senador de oposição e pré-candidato à Presidência contra Lula.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras… São traidores”, disse Lula durante um evento em Catalão (GO).
A decisão do governo norte-americano de antecipar o resultado das conclusões da investigação com base na Seção 301 da lei de comércio do país vinha sendo ventilada nos últimos dias, mas o Brasil ainda esperava que os EUA aguardassem os 30 dias de negociações acordados entre os presidentes Lula e Donald Trump, durante a visita do brasileiro a Washington, em 7 de maio.
O anúncio antecipado foi visto pelo governo brasileiro como um movimento político, ao não levar em conta as negociações em curso e os esclarecimentos apresentados pelo Brasil, disseram à Reuters três fontes que acompanham as negociações.
Lula cobrou um telefonema de Trump para explicar as razões da proposta de nova tarifa contra produtos brasileiros. “Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse.



