Retração da economia em setembro, foi de 0,24%, conforme a ‘prévia do PIB’ divulgado pelo Bacen

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apelidado de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,24% em setembro ante agosto, conforme o Banco Central divulgou nesta segunda-feira (16). No mês anterior, o indicador tinha subido 0,4%, o que mostra que a economia está desacelerando.

 

No trimestre registrou queda de 0,9%. O dado divulgado mostra a primeira contração da economia trimestral em dois anos. A última queda do indicador de atividade do BC foi no terceiro trimestre de 2023, quando foi registrado um recuo de 0,5%.

 

A primeira queda do índice de atividade econômica da autoridade monetária acontece em meio a uma puxada na taxa de juros para conter a inflação.  Atualmente, a Selic está em 15% ao ao, o maior nível em quase dois anos. Analistas projetam início do ciclo de queda do juro em janeiro de 2026.

 

Os dados do BC uma contração da atividade nos três setores da economia no terceiro trimestre deste ano, sendo o maior deles na agropecuária.

 

Veja abaixo o desempenho setor por setor:

  • Agropecuária: – 4,5%
  • Indústria: -1%
  • Serviços: -0,3%

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial do período, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 4 de dezembro.

 

O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB 2,16% em 2025, contra 3,4% no ano passado. O BC projeta uma expansão de 2% neste ano.

 

O que é o IBC-Br?

O indicador foi criado pelo Banco Central para acompanhar, de forma mais frequente, o desempenho da atividade econômica brasileira. O IBC-Br reúne uma série de dados sobre a produção de bens e serviços no país, como números da indústria, do comércio, do setor de serviços e da agropecuária, além de incorporar informações do mercado de trabalho e do crédito.

 

O indicador é conhecido como “prévia do PIB” por ser considerado uma espécie de “termômetro” da economia e uma sinalização preliminar da tendência que o PIB pode seguir.

 

A metodologia dos dois, no entanto, é diferente. O PIB, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é mais amplo e detalhado e é divulgado trimestralmente. Já o IBC-Br é mensal, o que permite um acompanhamento mais dinâmico e atualizado da economia.

 

O IBC-Br é importante porque ele traz pistas do quão aquecida está a economia brasileira e, claro, o quanto isso traz de pressão inflacionária no cenário atual. Afinal, uma atividade forte tende a indicar que mais pessoas estão trabalhando e, consequentemente, ganhando e gastando dinheiro. E, como bem se sabe, esse cenário costuma vir acompanhado também de mais inflação, que é justamente o que tem preocupado o Banco Central.

 

O IBC-Br , portanto, é mais um dos itens que o BC avalia para tomar suas decisões monetárias e decidir se haverá cortes ou aumentos nos juros.

 

Recentemente, o mercado passou a apostar que o Banco Central pode iniciar um novo ciclo de cortes da Selic já no começo do ano que vem. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro veio abaixo do esperado na semana passada. A projeção menor para a inflação aumenta a chance de corte de juros em janeiro já, não em março, assim como a queda do IBC-Br.

 

Contudo, o Banco Central tem sido cauteloso na sua comunicação e o mercado está dividido nas expectativas para o início das reduções de juros.