Após figurar no menor patamar da história desde junho do ano passado, a taxa de desemprego do Brasil voltou a subir e fechou o trimestre até janeiro em 5,4%, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar da alta na comparação com o resultado de dezembro (5,1%), o percentual é o menor registrado para o mês desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.
O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%.
O número veio em linha com as expectativas do mercado, que projetavam justamente uma taxa de 5,4%.
Cerca de 5,85 milhões procuram emprego no Brasil. O total também representa um aumento após o menor patamar da série histórica registrado em dezembro, quando 5,5 milhões de trabalhadores buscavam por trabalho. Em janeiro do ano passado, 7,06 milhões tentavam uma colocação profissional, representando uma redução de 17,1% na comparação anual.
Desemprego cresce no início de todos os anos. A tendência confirma o cenário observado pelo IBGE com a elevação do volume de pessoas que buscam, sem sucesso, uma colocação ao longo dos primeiros meses de cada ano. O movimento se deve ao fim dos contratos de trabalho temporário e desligamentos nas áreas da administração pública, saúde e educação.
População ocupada soma 102,7 milhões de pessoas. Ainda que o valor seja o maior de toda a série para os trimestres encerrados em janeiro, ele corresponde a uma leve queda na comparação com os trimestres finalizados em dezembro (103 milhões). No mesmo período do ano passado, eram 101 milhões de ocupados no país.
Como o IBGE calcula o desemprego
O IBGE classifica o desemprego com base em critérios rigorosos definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O IBGE realiza a pesquisa semanalmente por todo o território nacional, considerando uma amostra de mais de 200 mil domicílios. O termo técnico utilizado é população desocupada.
Para ser considerada desocupada (e, portanto, entrar na conta da taxa de desemprego), a pessoa precisa atender, simultaneamente, a três critérios principais:
- Ter 14 anos ou mais de idade (população em idade de trabalhar).
- Não estava trabalhando em nenhuma ocupação na semana de referência da pesquisa.
- Procurou trabalho efetivamente nas quatro semanas anteriores à entrevista e estava disponível para assumir uma vaga, caso encontrasse.
Por esse método, toda a pessoa sem trabalho, e que não procura emprego, não seria desempregada. Para ser considerado desocupado, dois fatores devem ser atendidos simultaneamente: não trabalhar e procurar emprego.
Por exemplo, um estudante que optou por não trabalhar não é reconhecido como desempregado. Uma pessoa que vive de bolsa família, e não quer trabalhar, também não é considerada desempregada. Em resumo, se o indivíduo optou por não trabalhar, qualquer que seja o motivo, não é classificado como desempregado.
Beneficiários de programas sociais
É importante ressaltar que o recebimento de algum benefício de programas sociais, como por exemplo: bolsa família, benefício de prestação continuada (BPC), seguro desemprego etc, não tem correlação direta com a ocupação ou desocupação. Esses beneficiários, por exemplo, podem ser classificados como parte da força de trabalho (como ocupados ou desocupados) ou estarem fora da força de trabalho.
Pode ocorrer de beneficiários do programa seguro desemprego estarem trabalhando na informalidade (por exemplo, trabalhando como motorista de aplicativo ou no comércio ambulante), e dessa forma serão classificados como “ocupados”.
Pode ocorrer ainda de beneficiários do programa seguro desemprego não estarem ocupados e não terem tomado providência efetiva para conseguir trabalho, e portanto, serão classificados como “fora da força de trabalho”.
Pode ocorrer também de beneficiários do programa bolsa família ou do BPC não estarem trabalhando e nem terem tomado providências para conseguir trabalho, dessa forma, serão classificados também como “fora da força de trabalho”.
O que é a Pnad Contínua
Divulgado desde 2012, o estudo do IBGE abrange todo o território nacional. Em suas coletas, a pesquisa avalia indicadores relacionados à força de trabalho entre a população com 14 anos ou mais. O grupo é aquele que integra a população economicamente ativa do Brasil.
Indicadores utilizam as informações dos últimos três meses para a pesquisa. Assim, os dados produzidos mensalmente pela Pnad não refletem a situação de cada mês, mas o desempenho de cada trimestre móvel do ano. Os números atuais mostram como foi o mercado de trabalho nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025.
Taxa de desemprego é formada por quem está procurando por uma colocação. O grupo é caracterizado por pessoas de dentro da força de trabalho que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar ocupação. O método utilizado pelo IBGE exclui do cálculo todos que estão fora da força de trabalho, como um estudante universitário que dedica seu tempo somente aos estudos ou uma dona de casa que não trabalha fora.



