Traição? Tarcísio marca reuniões, sonda marqueteiros e evita visita a Bolsonaro por corrida ao Planalto

Diante de resistências na direita à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ampliou conversas políticas de caráter nacional, marcou reuniões com empresários e investidores da Faria Lima e intensificou a interlocução com profissionais de comunicação.

 

Enquanto ensaia essa nova fase de articulação pelo Palácio do Planalto, o chefe do Executivo paulista também busca ganhar tempo, o que o fez adiar uma visita que faria hoje ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, em Brasília.

 

As movimentações foram interpretadas por aliados como uma retomada da tentativa de se viabilizar na disputa pela Presidência, ainda que Tarcísio mantenha em público a afirmação de que disputará a reeleição no estado.

 

O desejo da visita havia sido manifestado por Bolsonaro, e Tarcísio foi avisado antes de a defesa apresentar o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e receber a autorização do ministro Alexandre de Moraes. A mudança de planos gerou reações entre aliados do ex-presidente.

 

Procurado, o governo de São Paulo reiterou que Tarcísio será candidato à reeleição e que não vai a Brasília por conta de compromissos que já estavam agendados. Na semana passada, o chefe do Executivo paulista disse publicamente que apoia a empreitada do senador.

 

Aliados do chefe do Executivo paulista evitam ações mais contundentes, com o receio de que ele ganhe a pecha de “traidor” no bolsonarismo. Além disso, a tática é parte de um “jogo de espera” por eventuais notícias ruins que possam complicar naturalmente a candidatura do filho mais velho do ex-presidente.

 

O maior obstáculo para uma eventual candidatura de Tarcísio, no entanto, segue colocado: a disposição de Flávio com o sinal verde de Bolsonaro. Mesmo com os estímulos, aliados veem poucas chances de o governador se lançar sem o apoio do padrinho político.