Com o endividamento das famílias em níveis recordes, o governo federal voltou a apostar em um programa já conhecido para tentar conter um problema persistente no país.
Relançado no início de maio, o Novo Desenrola Brasil (ou Desenrola 2.0) chega a poucos meses das eleições presidenciais, em um momento no qual o Palácio do Planalto busca fortalecer pautas com impacto direto no bolso da população diante de um cenário político desafiador no Congresso.
Dois anos após o encerramento do último programa de renegociação de dívidas, em maio de 2024, o país registrou um aumento de 10,3 milhões de inadimplentes, chegando ao total de 82,8 milhões.
- 🤔 Mas, afinal, por que o número de endividados aumentou desde a primeira edição do Desenrola?
Em entrevistas recentes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu a alta da inadimplência a um “efeito sanfona”.
Segundo ele, o fenômeno foi provocado pelas oscilações da taxa básica de juros da economia, a Selic, e pelos impactos ainda persistentes da pandemia de Covid-19, período em que o desemprego subiu e a renda estagnou.
“Passamos por um período, especialmente durante a pandemia, sem reajuste de renda e com desemprego elevado. Muitas pessoas ficaram impossibilitadas de trabalhar e acabaram se endividando”, afirmou Durigan em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, neste mês.
Especialistas, porém, avaliam que o programa teve efeito limitado e temporário, sendo visto por parte do mercado como um “fracasso”, e que o problema vai além dos juros altos.
O avanço da inadimplência envolve uma combinação de inflação persistente (especialmente nos alimentos), custo de vida elevado, renda insuficiente, crédito caro e falta de educação financeira.



