Endividamento recorde: o que mais pesa no bolso das famílias

O endividamento das famílias brasileiras atingiu máxima histórica em março, com o cartão de crédito como principal tipo de dívida, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio).

 

O que aconteceu

Em março, 80,4% das famílias brasileiras tinham dívidas em aberto. No mesmo mês, 29,6% estavam com contas atrasadas e 12,3% disseram não ter condições de pagar dívidas em atraso, de acordo com a CNC.

 

Cartão de crédito foi o tipo de dívida mais comum no país. Ele respondeu por 84,9% das dívidas registradas em março, segundo a distribuição por modalidade divulgada pela CNC.

 

Além do cartão, carnês e crédito pessoal também pesaram no endividamento. Em março, carnês representaram 16% e o crédito pessoal, 12,6% do total, conforme os dados da CNC.

 

Financiamentos e outras linhas também apareceram entre as modalidades citadas. O financiamento de casa somou 9,7% e o de carro, 9,1%, enquanto o crédito consignado ficou em 6,6% e o cheque especial em 3,6%.

 

Estudo apontou apostas esportivas como fator relevante por trás do aumento das dívidas. Um estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School revelou que as plataformas online são a principal causa das dívidas.

 

Mesmo somados, os impactos de crédito e de juros são menores que o das bets. Segundo o Ibevar e a FIA, o impacto das apostas online é quase o dobro da soma dos dois fatores tradicionais, podendo ser ainda maior, já que parte do efeito dos juros já está embutido na dinâmica do crédito.

 

Ao longo do período analisado, observou-se uma leve tendência de desaceleração no crescimento do endividamento no Brasil. No entanto, após a entrada das apostas esportivas, legalizadas em 2018 e amplamente difundidas a partir de 2019, antes da regulamentação definitiva em 2023, a dinâmica da dívida ganhou novo impulso. Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School

 

Programa de renegociação em estudo

Governo federal planeja lançar programa de renegociação de dívidas voltado a famílias de baixa renda. A proposta prevê descontos de até 90% para quitação de débitos.

 

Plano inclui juros mensais entre 2% e 2,5% e abrange dívidas bancárias e contas básicas. A renegociação deve cobrir débitos com bancos e também contas de água e luz.

 

Programa pode impor restrições a beneficiários em relação a apostas e crédito mais caro. Entre as medidas em avaliação, está a possibilidade de proibir o acesso a bets ou a modalidades de crédito com custos elevados.